sábado, 26 de dezembro de 2009

Sexto contato...


...é a pura verdade.
Talvez, haja uma maneira de fazê-lo acreditar. Sinto saudades de muitas coisas. Uma em especial. Para você ainda é recente, mas para mim já faz muitos anos. Apesar do pouco tempo, sei que também já guarda, desde cedo, esta saudade com você. Saiba que ela será cada vez maior. Lembro quando, sozinho, jogava bola no salão da vovó. Passava horas lá, chutando a bola em um jogo imaginário. Meus companheiros eram as paredes; o gol o espaço entre as pernas de uns banquinhos com o estofamento laranja que a vovó mesmo havia encapado. Ainda devem estar lá no salão ou não? Mas em 2009 eles já não existem. Ali, fui craque de bola. Ganhei campeonatos, vesti a camisa da seleção e virei ídolo da nação. Descalço, com os pés imundos não via a hora passar. Não tinha preocupações ou angústias. A cada intervalo do jogo, uma corrida rápida até a geladeira da vovó atrás de uma fruta que nunca faltava por lá. Se fosse época de natal, sempre tinha uma ameixa vermelha que ela sabe o quanto adoramos. Ou, uma garrafa de caldo de cana e uns pastéis já frios quando ela voltava da feira. A banana que retirava ainda da sacola dela nunca terá o mesmo gosto. Até hoje gosto de comer pastel frio. Hoje, quando lembro, tenho vontade de chorar. Não de tristeza. Não por, hoje, saber o que a vida me reserva. Pode ser uma recordação boba; de criança. Mas, são lembranças boas. Sei o quanto está sendo difícil para você abandonar esta fase da vida. Parece ser um dilema. Mas, não se engane. Para deixar de ser criança, não é necessário perder esta inocência. A vida se encarregará disso. Não se preocupe em fazê-lo. Talvez seja, ainda, a única coisa que lhe prenda ao universo infantil...

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