domingo, 21 de agosto de 2011

Parte 26 – Vigésimo sexto contato


EMERSON, AMIGO; MAIS UMA CARTA. SIGO FIELMENTE AS INTRUÇÕES DEIXADAS PELO REMETENTE.


Minha memória engana-me facilmente. Sempre. Se dessa vez eu estiver certo, os dias por aí não são mais tão negros. Hoje, lembro-me do sentimento que você está experimentando e tento encontrá-lo perdido de alguma maneira. Li certa vez que nada há de novo debaixo do sol. Acreditando ser verdade, tento fazer parecer mais fácil tudo por aqui. São sentimentos; de uma maneira ou de outra já os vivenciei antes. Às vezes a melhor forma de encontrar respostas não é através de perguntas. A ideia de escrever-lhe era poder ajudar você. Tenho a sensação que tenho fracassado. Não sei. A verdade é: nunca teremos todas as respostas. Eu não tenho. Depois de muitos anos, acreditava que se fosse possível voltar no tempo, corrigiríamos todos os nossos erros. O problema não é mudar os erros. É reconhecê-los. Ao mudar uma coisa ruim, podemos perder outra boa. Não quero perder nada. Quero ganhar. Ingênuo? Talvez. Dizem que ser ingênuo é ser excessivamente crédulo. Ótimo. Eu acredito. Acredito nas pessoas. Pelo menos, naquelas que amo. E, não serei eu o errado. Não por isso. Hoje, sou assim. Sempre fui? Diga-me você. Cada um assuma suas culpas. Eu tenho muitas. Sofrer? Quem não vai? Melhor não pensar nisso. Não agora. Como falei, as mudanças podem ser perigosas. Não pensei nisso quando comecei escrever estas linhas. Talvez, este pensamento, teria me feito recuar. Talvez não. Recuar não faz parte da nossa personalidade. Nunca fez. Sim, da nossa. Recuar é andar para trás. Retroceder. Ceder. Hesitar. Não prosseguir. Não! Não somos nós. Ainda bem. O fato é: não sei qual rumo dar a estas cartas. Não sei como ajudá-lo. Ou sei. Apenas, não posso. Não precisa de ajuda. Lembre apenas: pensar no futuro é realizar no presente. Nada acontece no futuro. Acontece... (Scorpions: Dust in the wind.)

UM GRANDE ABRAÇO.


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