terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As três perguntas - Um conto de Tolstói



Entrelinha poderia ser definida como o espaço entre duas linhas. Simples. Mas nada é simples. O sentido implícito. O que não foi escrito ou falado. Então, interpretamos. E, tratando-se de interpretação, cada um tem a sua. Assim, encontre-se na entrelinhas...
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"Com o passado, eu não tenho nada que fazer; 
nem com o futuro. Eu vivo agora. "
( Ralph Waldo Emerson ) 

Certa vez, ocorreu a um imperador que, se soubesse responder apenas às seguintes perguntas, nada jamais o afastaria do caminho justo: Qual é o melhor momento para qualquer coisa? Quais são as pessoas mais importantes em qualquer trabalho? Qual é a coisa mais importante a fazer em qualquer momento?
O imperador promulgou um decreto para todo o seu império, anunciando que quem soubesse responder às três perguntas receberia uma grande recompensa. Depois de ler este decreto, muitos se dirigiram ao palácio com as suas diferentes respostas. Depois de várias noites de reflexão, o soberano decidiu visitar um eremita que vivia na montanha e que era tido por ser iluminado. Ao chegar à morada do homem santo, o imperador avistou-o a cavar o jardim diante da sua cabana. Era um trabalho aparentemente muito penoso para um velho: ele ofegava ruidosamente a cada vez que enterrava a enxada no solo para revolver a terra. O eremita escutou-o atentamente e retomou o trabalho depois de dar uma pequena palmada no ombro do imperador. O monarca disse então: "Deveis estar cansado. Deixai-me ajudar-vos". O velho homem agradeceu-lhe, entregou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar. Depois de ter cavado duas fileiras, o imperador parou, voltou-se para o eremita e repetiu-lhe as suas três perguntas. De novo, o velho homem não respondeu, mas levantou-se e disse-lhe, mostrando a enxada: "Porque não descansais um pouco? Eu continuo". Mas o imperador continuou a cavar a terra.
O imperador virou a cabeça e ambos viram surgir do bosque um homem com uma longa barba branca. Corria tropegamente, com as mãos a pressionar uma ferida no ventre, que sangrava. O homem correu em direção ao soberano até cair sem sentidos no chão. Gemia. Ao abrir a sua camisa, o imperador e o eremita viram que ele tinha uma ferida profunda. O monarca limpou-a totalmente e, a seguir, fez-lhe um curativo com a sua própria camisa. Visto que o sangue corria abundantemente, teve de enxaguar e enfaixar várias vezes a sua camisa até conseguir estancar o sangue da ferida. Finalmente, o homem ferido retomou a consciência e pediu água. O imperador correu até ao rio e trouxe consigo uma bilha de água fresca. Ao longo de todo este tempo, o sol pusera-se e o frio da noite viera. O eremita ajudou o imperador a levar o homem para a cabana, onde o deitaram sobre a cama. Aí, ele fechou os olhos e adormeceu sossegadamente. O soberano estava esgotado pela longa jornada que fizera, por caminhar na montanha e cavar o jardim. Apoiando-se à porta, adormeceu. Quando acordou, olhou para a cama e viu o homem ferido, que também se perguntava o que fazia ali naquela cabana. Quando este viu o imperador, olhou-o atentamente nos olhos e disse num murmúrio dificilmente perceptível: "Por favor, perdoai-me".
"Mas o que fizestes para merecerdes ser perdoado?", perguntou o soberano. "Vossa Majestade não me conhece, mas eu vos conheço. Eu fui vosso inimigo e fiz o voto de me vingar por terdes morto o meu irmão na última guerra e por terdes se apoderado de todos os meus bens. Quando soube que vínheis sozinho a esta montanha para vos encontrardes com o eremita, decidi montar-vos uma cilada e matar-vos. Acabei por dar com os soldados da vossa guarda que, ao reconhecerem-me, infligiram-me esta ferida. Se não vos tivésseis encontrado, teria, com certeza, morrido na hora. Eu tinha a intenção de vos matar e vós salvastes-me a vida! Sinto uma enorme vergonha, mas também um reconhecimento infinito. Se viver, faço o voto de vos servir até ao meu derradeiro sopro e ordenarei aos meus filhos e aos meus netos que sigam o meu exemplo. Suplico-vos, Majestade, concedei-me o vosso perdão!".
Antes de regressar ao seu palácio, o soberano desejava, por uma última vez, fazer as três perguntas ao velho homem. Encontrou o eremita a semear os grãos nas fileiras cavadas na véspera. O velho homem levantou-se e olhou-o: "Mas já tendes a resposta a essas perguntas". "Como assim?", disse o imperador intrigado. "Ontem, se não tivésseis tido piedade da minha velhice e não me tivésseis ajudado a cavar a terra, teríeis sido atacado por este homem quando regressásseis. Por consequência, o momento mais importante foi o tempo passado a cavar o jardim, a pessoa mais importante fui eu e a coisa mais importante foi ajudares-me. Mais tarde, depois da chegada do homem ferido, o momento mais importante foi aquele que passastes a tratar da ferida, Do mesmo modo, ele foi a pessoa mais importante, e cuidar da ferida foi a tarefa mais importante.
Lembrai-vos que não existe senão um único momento importante, que é AGORA. Este instante presente é o único momento sobre o qual podemos exercer o nosso magistério. A pessoa mais importante é sempre a pessoa com a qual se está, aquela que está diante de vós, porque quem sabe se vireis a estar ocupado com uma outra no futuro? A tarefa mais importante é fazer feliz a pessoa que está ao vosso lado, porque a procura da vida é apenas isso”.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A invenção de Hugo Cabret


“Tudo têm sua hora certa”.
 “Mas, quando sabemos quando é a hora certa?” 
“Seja mais intrépido! Dê o seu melhor sorriso”.

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 Não tenho a menor ideia de qual será o vencedor, hoje, de melhor filme em 2012. Talvez eu não entenda nada sobre filmes. Com certeza, entendo apenas dos filmes que gosto. Quando iniciar a cerimonia de entrega do Oscar 2012, estarei torcendo por As invenções de Hugo Cabret. Sem dúvida, o melhor filme que assisti nos últimos anos. Sou chato. Assumo. Mesmo com o grande favorito O artista ou Os descendentes (Clooney está impecável) correndo por fora, apostarei no filme de Martin Scorsese e sua homenagem ao cineasta Georges Méliès (1861-1938). O filme em 3D, com certeza, teria deixado Méliès com os olhos brilhando. Quando o filme terminou, minha vontade era poder ligar e contar para meu pai. Fiz isso inúmeras vezes em minha vida. Sei exatamente qual seria sua reação ao assistir As invenções de Hugo Cabret. Algo parecido com o que ele sentiu ao ver pela primeira vez Cinema Paradiso. Enfim! “Cinema é luz, tudo reflete luz neste filme, e Scorsese deve ter escolhido Asa Butterfield para protagonizá-lo porque, com seus olhos azuis gigantes, o menino talvez seja capaz de absorver mais dessa luz do que qualquer pessoa”. (Marcelo Hessel – Omelete)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Verdades...


A vida é sempre surpreendente. Todos nós temos um lado obscuro. Do avesso. Aceitemos ou não. Nossa antítese. Amigos leitores, não se assustem. Apresento “A antítese” destas reminiscências. Nem tanto nas ideias, mas, principalmente na forma. Na maneira de escrever. Um pouco. Prometo. Só um pouco do meu lado obscuro... 
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Esqueçam-se as razões. Tirem as máscaras. Sonhos não são reais. Planos não são reais. Desejos não são reais. Eu sou. Vivo uma vida de verdade e de verdades. Aos infernos. Deve haver mais de um. Agora é tarde. Ou sempre foi. O que importa? Desculpa é um pretexto. É um fato. Gostem ou não. Fiquem ou não com o estômago embrulhado. Fernando Pessoa estava certo: "Há tanta suavidade em nada dizer e tudo se entender”. Está bem claro. Então, de maneira bem suave... Dane-se! Claro; é preciso entender. Esqueçam-se as razões.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


Henry Miller é meu escritor preferido. Reservarei então um espaço para seus textos. Desta maneira o amigo, leitor destas reminiscências, terá a oportunidade de conhecer um pouco do universo de Miller...
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"O pensar que não nos leva a lado nenhum leva-nos a todo lado; todo o outro pensar é feito sobre trilhos e, por muito longo que seja o percurso, no fim ergue-se sempre (...) a rotunda de recolha. No fim há sempre uma lanterna vermelha que diz: Pare!"
(Henry Miller)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Que saco!


"Negócios - A arte de tirar dinheiro dos bolsos 
dos outros sem usar violência." 
(Max Amsterdam) 

É realmente um saco. De plástico. Saquinhos. Sacolinhas. Estas, dos supermercados. Estão proibidas. Ou não? Não importa. Tudo em nome da sustentabilidade. Antes do bla bla bla, quero deixar claro que sou totalmente a favor da lei. “De acordo com a Plastivida, 15 bilhões de sacolas plásticas descartáveis foram distribuídas às lojas comerciais brasileiras em 2009”. 15 bilhões! (Fonte: Planeta Sustentável). Ser contrário seria insano. Claro; gostaria de ver medidas semelhantes em todas as esferas possíveis. Outra questão: Até onde sei, estas sacolinhas eram utilizadas posteriormente, em sua maioria, como sacos de lixo. Não as teremos mais. Precisaremos então, comprar sacos de lixo. Feitos de: Plástico. Enfim! 
Este texto não é sobre a lei. É sobre suas consequências. A lei (ou acordo) que proíbe a distribuição gratuita de sacolas plásticas entrou em vigor. Sim, gratuita. Vender pode. Você vai ao supermercado, entra na fila e aí lembra: não tem mais sacola. Tudo bem; é em prol do Planeta. Mas, você precisa carregar suas compras. Então, o funcionário do caixa o informa que o estabelecimento fornece caixas de papelão. Ótimo! Infelizmente já esgotaram. E agora? Temos a sacolinha de plástico (aquela proibida) e as sacolas biodegradáveis. De graça? Claro que não. Parece que a sustentabilidade é, antes de tudo, um bom negócio. Os supermercados, antigamente ofereciam empacotadores. Atualmente é o próprio cliente que o faz enquanto coloca as compras na esteira e digita a senha do cartão. Agora eles também não precisam mais comprar as sacolinhas. O cliente paga. É ou não um país como poucos? Um saco! 
Para ficar claro, não sou nenhum especialista no assunto. Posso mesmo estar completamente equivocado. Mas, segundo o PROCON “os estabelecimentos devem oferecer uma alternativa gratuita para que os consumidores possam finalizar sua compra de forma adequada (...). É importante destacar que, na ausência de opção gratuita para que o consumidor possa concluir sua compra, fruindo de maneira adequada o serviço, o estabelecimento deverá fornecer gratuitamente a sacola biodegradável, respeitando assim os ditames do Código de Defesa do Consumidor (CDC)". É isso. Agora; acho que vou até o supermercado comprar uma briga...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pessoas raras...


"As pessoas e circunstâncias ao meu redor
não fazem de mim o que eu sou, elas revelam quem eu sou. "
(Dr. Laura Schlessinger)

Acredite nas pessoas. Naquelas que possuem algo mais. Aquelas que, às vezes, confundimos com anjos e outras divindades. Digo daquelas pessoas que existem em nossas vidas e enchem nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes. Falo daquelas que te olham nos olhos quando precisam ser verdadeiras. Tecendo elogios, que pedem desculpas com a simplicidade de uma criança. Pessoas firmes, verdadeiras, transparentes, amigas e ingênuas. Que com um sorriso, um beijo, um abraço ou uma palavra te faz feliz. Aquelas que erram e acertam. Não tem vergonha de dizer não sei. Aquelas que sonham. Aquelas amigas. Aquelas que passam pela vida deixando sua marca, saudades. Aquelas que fazem a diferença. Que vivem intensamente um grande amor. 

(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres


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"A vida pode derrubar, 
mas nós escolhemos se queremos levantar novamente".
Não foi o suspense o meu maior interesse em Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Girl with the Dragon Tattoo, The, 2011). O que mais gostei foi sim a construção psicológica das personagen. Filme baseado no primeiro livro da trilogia de Stieg Larsson, o nome original A garota com a tatuagem de dragão é muito mais apropriado. Rooney Mara encarna a protagonista de Millenium. Como escreveu Vlademir Lazo “O seu papel no filme é, visualmente, um dos mais excêntricos do cinema contemporâneo”. Concordo com ele. A atriz está impecável. Não posso afirmar ser esta, exatamente, uma indicação. Talvez este seja mais um daqueles “filmes que só eu gosto”. Acontece que o filme possui muita coisa que me agrada. O pior é: não vou numerá-las. Seria perda de tempo e sinceramente eu não saberia como fazê-lo. Sinto muito. Leiam a crítica, vejam o trailer e conheçam um pouco mais sobre o filme.