segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Arrependimentos...



“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade(...) Essa é uma das coisas mais bonitas que acontecem no fim da vida: A gente perde a nossa capacidade de fingir... Nessa hora bate aquela coisa... Puxa! E se eu tivesse dito que eu amava..."
(Dra. Ana Claudia Arantes)

The top five regrets of the dying, livro escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte. O livro pode ser traduzido como: “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”. O vídeo, divulgado pelo Hospital Albert Einstein, trás a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Hospital – que de acordo com a sua experiência, comentou cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira o vídeo abaixo. (Fonte: blog Simples Coisas da Vida)

video


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012



Definições não podem ser compreendidas apenas como o significado de algo. Definir pode ser muito mais complexo.  Pensando desta maneira, Adriana Falcão, roteirista e escritora brasileira, encontrou algumas definições que extrapolam as explicações encontradas nos dicionários.

"Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer 
mas acha que devia querer outra coisa". 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Parte 34 – Trigésimo quarto contato



AMIGO, ESPERO QUE ESTEJA BEM!

Como foi que eu descobri estes poemas? Ou melhor; quem foi? Eu ou você? O que deve estar se perguntando é: Eu não sei a resposta? Claro, eu deveria saber! Não vou responder à sua dúvida. É tudo muito confuso. Melhor não pensarmos nisso. Mais paradoxos; paradigmas. Em minha vida, estão por todos os lados. Fez a pesquisa? Encontrou-os? Não quero deixá-lo traumatizado. Fique tranquilo; viva de acordo com o que aprendeu com Herrick e Horácio. “O velho tempo corre sem fim...”.
Falando em traumas; lembra-se de certo estojo? Certa vez caiu no chão... Enfim! Traumas precisam ser resolvidos. Não importa quanto tempo leve. Algumas coisas podem ser inesquecíveis. “Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso...” Agora, sabe o que quero dizer.
Dizem que o homem sem medo motiva-se a ir além. Escolhas são feitas. Sempre. Quando chegamos a uma encruzilhada, não podemos, simplesmente, ficar parados sem saber o caminho a seguir. Fazemos uma escolha e seguimos à diante. Mas é preciso saber: em uma encruzilhada não conhecemos o caminho correto. É uma escolha mais difícil. Quando sabemos o final de cada estrada, a escolha torna-se mais fácil e não há por que lamentar-se pelo caminho escolhido. É uma atitude consciente. “Que não te acanhes, e que o tempo aproveites...”
Surge assim, a importância de entender outro sentimento: a vontade. Não vou citar o dicionário como de costume. Se achar necessário, pode fazê-lo você mesmo. Segundo a filosofia, a vontade está na relação entre o livre-arbítrio e o determinismo. Os atos da vontade, segundo dizem, ocorrem com representações conscientes do fim. Resumindo; é preciso querer! “Colhe o dia; cada dia menos confia no amanhã...”. Hiperbulia! Sempre. Fernando Pessoa fez a seguinte indagação: Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

UM GRANDE ABRAÇO!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Auto ajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada



Encontrei este texto no blog Simples Coisas daVida. O autor, Antonio Prata, é escritor. Publicou alguns livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda", de onde foi retirada esta bem humorada crônica.
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Auto ajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada. Tá bom: ioga, psicanálise, ikebana e danças de salão podem nos ajudar a entrar em harmonia com nosso próprio eu, nos tornarmos seres humanos mais evoluídos e blábláblá, mas quando o pé amado toca a incauta bunda, neguinho não vai sentar-se em flor de lótus, escarafunchar seu processo edípico, podar a samambaia nem dançar um tango argentino: vai é manguaçar.
É só ali, já mais perto da última dose que da primeira, limados os graves e agudos – naquela quarta dimensão etílica: nem dentro nem fora de nós mesmos –, que podemos respirar aliviados, encher o peito e dizer que aquela ingrata não vale nada, que nós somos maiores que isso e que a vida, meu amigo, a vida é uma coisa assim, a vida é assim uma coisa… Enfim, uma coisa dessas que a gente diz sobre a vida quando está bêbado.
Se nas avalanches emocionais o nosso amigo álcool aparece como um são-bernardo salvador, em nossos projetos mais ousados ele surge como um cão-guia, um labrador a nos indicar os caminhos para além do labirinto de nossas inibições. Em outras palavras: sem o álcool eu seria virgem até hoje. Em plena adolescência ficar pelado diante de uma menina, sóbrio? Só um psicopata seria capaz de tamanha frieza.
O que mais lastimo é que os chopes só tenham vindo transformar asfalto em edredom quando eu já era quase um adulto. Como é que na infância, a fase mais hardcore da vida, só havia groselha, Fanta Uva e Toddynho em meu copo? Ah, se na quarta série eu conhecesse as benesses do álcool, Joana, tudo teria sido diferente!
Lembra quando te pedi em namoro numa cartinha? Você disse não. Mas é claro! Que passo desastrado, mandar uma carta a alguém que você nunca beijou na boca perguntando uma coisa dessas. Só um ser humano completamente sóbrio cometeria tamanha patacoada. Se ao invés do bilhete tivesse te convidado pra tomar um chope na cantina, te contasse aquela piada de português que meu tio Aristides havia me ensinado, te mostrado habilmente como fazer uma boca de loco incrementada, um aviãozinho que dava looping, quem sabe, Joana, eu e você, na quarta série, hein?
Bem, se eu tinha sobrevivido ao primeiro dia de aula da primeira série, a seco, não seria na quarta que a coisa iria degringolar. Lembro bem daquele dia. Eu havia passado dos dois aos seis anos numa outra escola. A vida toda, portanto. Não conhecia ninguém ali. Era praticamente um exilado político brasileiro chegando na Suécia. Imagina só se tivéssemos todos tomado um uisquinho antes? Chegaríamos confiantes, sorridentes, sem nem nos preocuparmos se seríamos aceitos ou se já na segunda aula ganharíamos para sempre o apelido de Dumbo, Gordo, Anão… E se durante o recreio – aquele climão de banho de sol em penitenciária –, em vez de comermos Cebolitos, ensimesmados em nossa timidez, tomássemos um vinho em canequinhas da Turma da Mônica, em torno da cantina? O entrosamento seria tão mais fácil. (A educação física ficaria comprometida, mas quem liga para polichinelos diante da concórdia universal?)
A dura jornada tinha na volta, na perua, seu gran finale. Depois de cinco horas estudando aquelas coisas chatas, uma hora e meia no trânsito, buzina, estresse. Se nossas mamães pusessem uma garrafa térmica na lancheira com caipirinha, essas longas jornadas noite adentro seriam inesquecíveis happy hours, road movies infantis. E nós todos ali dentro, pequenos Kerouacs e Dennis Hoppers mirins, cruzaríamos a cidade a cantar a plenos pulmões os últimos sucessos do Balão Mágico, Menudo e Trem da Alegria, alheios ao resto do mundo.
Se na escola já era difícil, imagina aos dois anos, quando você se deu conta, desesperado, que a mulher da sua vida tinha outro? Que aquela dissimulada te alimentou falsas esperanças enquanto se deitava com outro toda noite e, pior, esse outro era seu próprio pai! Ah, nesse momento o maternal deveria ser um pub enfumaçado cheio de pobres diabos dilacerados diante desse protocorno incurável – essa feriada cuja ilusão de cura nos atirará em todas as maiores roubadas de nossas vidas dali pra frente, do jardim dois até a cova. Aguardente na mamadeira era o mínimo que eu esperava diante dessa hecatombe emocional e, no entanto, só nos ofertaram Hipoglós, nana nenê e leite morno. Como são cruéis esses adultos.
Agora, se de todos os momentos trágicos da vida eu pudesse escolher um, somente um, para receber o afago etílico em minh’alma, seria obviamente o nascimento. Nós estávamos no quentinho, boiando, recebendo comida na barriga, numa eterna soneca de manhã chuvosa de domingo, quando veio aquele aperto, aquele barulho, aquela luz terrível e o frio, meu Deus, que frio. Nesse momento um ser humano sensato deveria ter me olhado nos olhos, percebido o profundo desamparo e, clemente, dado uma talagada duma aguardente qualquer e dito: bebe, criança, bebe que a vida é dura, bebe que a vida é longa e não tem mesmo o que fazer. Mas não, me viraram de ponta a cabeça, me deram um tapa na bunda e ficaram me vendo chorar, sorrindo. Depois de um começo assim a gente pensa o quê? Que vai resolver na análise? Na ioga? Fazendo arranjo de flores? Dançando chá-chá-chá? Não, meu irmão: autoajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada.