domingo, 28 de abril de 2013

O doador - Ari Mota



Este sou eu...
O tempo certa vez me abordou... e me foi vestindo de velhice, foi recolhendo a minha configuração e os traços do meu rosto, não me permitiu esticar a meninice, nem estender a juventude.
Tocou-me, acintosamente como quem rouba a ilusão, e eu... resiliente que sou... e teimoso, não me abati de longitude,
nem morri de medo dessas lonjuras que nascem dentro do peito,
nem me perdi nestes desertos de alma,
nestas esquinas do destino... em aflição.
E para não sofrer de esquecimento, nem de descuido...
decidi doar-me.
O existir emprestou-me este corpo que me carrega, me leva por ai.
E dele nada posso doar... somente ceder para alguém... usar.
Posso conceder os braços, mas... não os abraços que dei,
posso oferecer minhas pernas, mas... não os caminhos que descobri,
posso até emprestar o meu coração, mas... nunca o que amei,
posso ceder a minha pele, o meu rosto, os meus lábios, mas...
nunca as bocas que beijei,
posso entregar as minhas mãos, mas... não posso conduzir ninguém,
nem indicar o caminho, e sozinho, terão que seguir... em solidão,
posso lhe presentear os meus olhos, mas...
nunca a fina beleza das minhas escolhas,
nem os entardeceres em contemplação.
Posso transferir cada órgão... e sem vícios... como os recebi,
mas... como envelheci,
e estou com mais tempo de esquadrinhar o meu horizonte,
a vastidão de mim...
e hoje, não posso aceitar nada que me medeia... sou ou não sou.
Eu, não posso perder do alcance a largueza da alma, da minha alma,
que vai viver outras vidas, e fazer outras tantas viagens,
e esta, é apenas uma estação das minhas tantas paragens.
Preciso arrancar este desafogo do peito, para não sofrer de ausência,
e ir embora feliz... desapertar a incomoda... sofreguidão,
e como não posso doar coisas... nem partes de mim.
Vou doar... destemor,
e o que tenho na alma...
amor.

domingo, 21 de abril de 2013



"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está passando inutilmente".
(Érico Veríssimo)

Resiliência! Talvez, seja este o segredo da felicidade. É o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia. Para Aristóteles, defensor do eudemonismo, "A felicidade é um princípio; é para alcançá-la que realizamos todos os outros atos; ela é exatamente o gênio de nossas motivações." Em Os sentidos da felicidade Angelita Corrêa Scardua, mestre em Psicologia Social e pioneira nos estudos de Psicologia Positiva no Brasil, ensina que “mais do que um sentimento, a felicidade aristotélica está relacionada com o que uma pessoa faz de si e de sua vida, sendo uma expressão da virtude, a consequência natural de se fazer o que vale a pena ser feito”. Está bem! Pura filosofia. Não sou filósofo. Todos entendem a felicidade. E se conhecemos o segredo precisamos também entendê-lo. Resiliência!
Eu sei; reminiscências, resiliência... Não quero criar confusão. Mentira. Salvador Dali estava certo, “É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida”. O pintor catalão, em sua obra mais famosa, retratou duas preocupações do ser humano: tempo e memória. O ser humano preocupa-se demais.
A física ensina que alguns materiais possuem a propriedade de acumular energia quando submetidos à determinada tensão sem gerar ruptura. A resiliência; determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação ocorrida depois da aplicação desta tensão. Como um elástico ou uma vara de salto em altura.
A psicologia emprestou o conceito da física para explicar resiliência como a habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas da vida. É a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais difíceis. A resiliência é o segredo da felicidade. Nada é fácil. Não espere por isso. Tudo poderia ser muito simples. Simples, mas não fácil. A resiliência está relacionada com a atitude. A biologia, psicologia, sociologia ou até mesmo a teologia, podem fornecer diferentes explicações. Parece ser possível encontrarmos sete fatores da resiliência. Não importa. Esqueça as explicações. Clarice Lispector escreveu: “Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença”. Faça a diferença. Resiliência.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sorri - Charlie Chaplin



"Sorri, quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri, quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri, quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doloridos

Sorri, vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz "

(Charllie Chaplin)