terça-feira, 6 de abril de 2010

Tempo Perdido...


Algumas coisas não possuem explicação. Ou talvez tenham. Não importa. Talvez, sejam importantes apenas para nós. Então, não devemos tentar explicar. Não seria possível. Algumas coisas nos fazem bem. Muito bem. Pode ser qualquer coisa. Uma música, um filme, uma pessoa ou mesmo um chocolate. Simplesmente por que me faz bem. Sem muita explicação.

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A música Tempo Perdido da Legião Urbana me remete a muitas histórias. Explicar não é a idéia agora. Não contarei história alguma. A letra já fala o suficiente. A música está aqui simplesmente por que me faz bem. Paty... uma música da Legião... aumente o volume e pode cantar junto...

Não tenho medo... do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens... Tão jovens...



TEMPO PERDIDO
Composição: Renato Russo

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...

Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...

Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...

Tão Jovens! Tão Jovens!...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Apenas diga A-Ham ou Hum-Hum...


Tarde da noite, já estavam deitados, quando...

MULHER : Se eu morresse você casava outra vez?
MARIDO : Claro que não!
MULHER : Não?! Não por quê?! Não gosta de estar casado?
MARIDO : Claro que gosto!
MULHER : Então por que é que não casava de novo?
MARIDO : Está bem, casava...
MULHER : (com um olhar magoado) Casava?
MARIDO : Casava. Só porque foi bom com você...
MULHER : E dormiria com ela na nossa cama?
MARIDO : Onde é que você queria que nós dormíssemos?
MULHER : E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO : É natural que sim...
MULHER : E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não dirige...
MULHER : !!!! (silêncio)
MARIDO : ( em pensamento ) Fu... !!!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aspas reminiscentes...


"Há uma enorme dificuldade em abrir os olhos das pessoas.
Comovê-las e destroçar-lhes a alma, é fácil;difícil é
fazer com que a luz lhes penetre o cérebro.Que lucro existe
em lhes mudar os sentimentos,se continuam sendo idiotas?"
( John Ruskin )


quarta-feira, 31 de março de 2010

Ser Brotinho


“Eventualmente, ser brotinho é
como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho,
de tão amadurecida em todo o seu ser.”
(Paulo Mendes Campos)


O texto, Ser brotinho é do mineiro Paulo Mendes Campos. Adoro esta crônica. Todos nós devíamos manter esta essência. Ser brotinho. Talvez seja algo que o tempo acabe nos tirando. Talvez, pois não devemos permitir. Esta semana, meio que sem querer, deparei-me com ela. Faz tempo que a li pela última vez. Então, para os amigos que tiverem paciência... Espero que gostem; como eu...

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S
er brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Proposta Indecente...


Procuro esta cena há muito tempo. Talvez, há mais de um ano. Não conseguia encontrar da maneira que gostaria. Encontrei dublada em italiano e em espanhol. Não servia. Deveria ser perfeita. Talvez, esta seja a cena na qual demorarei mais. Me alongarei um pouco ao descrevê-la e explicar as razões de ela estar em minhas reminiscências.
O filme é Proposta Indecente. Assistimos a este filme, no cinema, por volta de 1993. Desde então, adotamos o diálogo que é reproduzido no final do filme em nossas vidas. Esta era a maneira que usávamos para dizer que nos amávamos. Não lembro um dia que ele não tenha acontecido. Era assim também que nossas brigas terminavam. Já fazia parte do nosso dia-a-dia. Assim como no filme, servia para nos lembrarmos que apesar de tudo o que passamos ou poderíamos passar, nosso amor era para sempre. Independentemente de tudo. A cena, para nós, tornou-se real. Era nossa. O filme, uma metáfora.
Para quem ainda não assistiu ao filme, aviso: a cena é o final do filme. No dia 10 de março, precisava ir embora. Foi assim que nos despedimos. Este foi nosso último diálogo. Nossas últimas palavras. É assim que o filme termina. Foi assim que terminamos.



domingo, 28 de março de 2010

Bons amigos...


Uma quinta feira diferente. Uma quinta feira como estava precisando. Bons vinhos, boa comida e principalmente bons amigos. Sempre procuramos harmonizar o vinho com a comida. É como deve ser feito. Nesta semana, fizemos mais. Harmonizamos as pessoas. Tudo foi perfeito. Com dois convidados, o Fábio (Não resistiu à primeira semana e voltou) e o Dener (Irmão que sempre teve seu lugar reservado à mesa). Ótima noite. Vou esperar outras...

A noite começou com um bom vinho e muita conversa. O tinto The Wolftrap Blend 2008. O primeiro prato da noite rendeu muitas histórias ao longo da sexta-feira. Filé de Saint Peter com molho de vinho branco e alcaparras e arroz branco com cheiro verde. A harmonização foi feita com o vinho chileno Consiño Macul Doña Isidora Riesling 2006.



Na sequência um bife ancho grelhado à perfeição e mais nada. Simples assim. O vinho que acompanhou foi o argentino Bisonte Reserva Malbec 2007.



Para terminar, claro, a sobremesa: sorvete com bananas flambadas. Harmonizada com um excelente vinho de sobremesa, o Salton Intenso elaborado com uvas chardonnay.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Diário dele e diário dela....


"Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens."
( Albert Einstein )

Uma amiga minha diria: Que conversa de homenzinho... É verdade. Concordo com ela. Vou publicá-la aqui para descontrairmos um pouco. Pelo menos nós, homenzinhos...

Diário dela:

No domingo a noite ele estava estranho. Saímos e fomos até um bar para tomar uma cerveja. A conversa não estava muito animada, de maneira que pensei em irmos a um lugar mais íntimo.

Fomos a um restaurante e ele ainda agindo de modo estranho. Perguntei o que era, e ele disse que nada, que não era eu.

Mas não fiquei muito convencida. No caminho para casa, no carro, disse-lhe que o amava muito e de toda sua importância. Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros.

Finalmente chegamos em casa e eu já estava pensando se ele iria me deixar! Por isso tentei faze-lo falar, mas sem me dar muita bola ligou a televisão, e sentou-se com um olhar distante que parecia estar me dizendo que estava tudo acabado entre nós. Por fim, embora relutante, disse que ia me deitar.

Mais ou menos 10 minutos ele veio se deitar também e, para minha surpresa, correspondeu aos meus avanços.

Fizemos amor. Mas depois ele ainda parecia muito distraído e adormeceu. Comecei a chorar, chorar, chorar e chorei até adormecer. Já não sei o que fazer.
Tenho quase certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um autêntico desastre.

Diário dele:

O meu time perdeu. Fiquei chateado a noite toda. Pelo menos dei umazinha.
Mas ainda tô chateado... Time de bosta...