
Já faz alguns dias que escrevi este texto. Relutei. Relutei muito se devia ou não colocá-lo aqui. Tinha medo de estar sendo melancólico demais. Quem me conhece sabe que não sou assim. Então, fui ouvir algumas pessoas que, para mim, são muito importantes. Responderam de forma unânime que deveria seguir meu coração. Resolvi então, publicá-lo para não ficar perdido em uma pasta qualquer no computador. As palavras expressam os meus sentimentos mais sinceros de como passei pelos últimos quatro meses. Amigos me desculpem. Preciso falar. Não consigo. Então, escrevo.
Se pudesse...
Não conheço mais o lugar em que vivo. É assim que me sinto hoje. Meu mundo está diferente. Preciso descobri-lo e aprender a viver nele. Sinto sua falta. Sinto falta de um pedaço de mim. Ficou um vazio. É vazio. Você está em cada coisa que faço. Em cada coisa que vejo. Em cada música que gosto. Não conheço mais o mundo sem você. A dor não é somente por tê-la perdido. Não. Dói muito mais ter visto você sofrer. Acho que nunca vou conseguir esquecer. Estas lembranças ainda me torcem o estômago. Primeiro te vi com medo. Então, tentei mostrar que não sentia nenhum. Depois te vi com dor e a única coisa que podia fazer era te abraçar. Onde as ruas não têm nome estará em mim para sempre. Você parou de sorrir e eu tentei virar um palhaço. Levei você pela mão. Empurrei a sua cadeira. Por último te peguei no colo. Ainda sinto seus braços em torno de mim. Que falta você faz. Que dor estas lembranças trazem. O que é pior que esta impotência? Se pudesse, por você, faria o mundo girar ao contrário. Se pudesse... Mas não era possível. Só podia como você falava, ser sua fortaleza, seu porto seguro. Agora há um imenso silêncio. Estou em silêncio. Sempre perguntou se éramos os últimos dos moicanos. Seremos para sempre. Aceitar não é entender. Se conformar não é aceitar. Aceito. Não me conformo. Não quero. São minhas reminiscências. É assim que me sinto. Já me disseram que o tempo irá ajudar. Novamente o tempo. Onde estava quando clamei por ele? Não quero mais esperá-lo. Escrevi aqui, certa vez, sobre Lance Armstrong. Para ele, "a dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre”. Então, não ficarei esperando pelo tempo. Vou atrás dele. Minha coragem está naqueles que estão ao meu lado. Minha força é você. Sempre foi.









