quarta-feira, 24 de março de 2010

Se pudesse...


Já faz alguns dias que escrevi este texto. Relutei. Relutei muito se devia ou não colocá-lo aqui. Tinha medo de estar sendo melancólico demais. Quem me conhece sabe que não sou assim. Então, fui ouvir algumas pessoas que, para mim, são muito importantes. Responderam de forma unânime que deveria seguir meu coração. Resolvi então, publicá-lo para não ficar perdido em uma pasta qualquer no computador. As palavras expressam os meus sentimentos mais sinceros de como passei pelos últimos quatro meses. Amigos me desculpem. Preciso falar. Não consigo. Então, escrevo.

Se pudesse...

Não conheço mais o lugar em que vivo. É assim que me sinto hoje. Meu mundo está diferente. Preciso descobri-lo e aprender a viver nele. Sinto sua falta. Sinto falta de um pedaço de mim. Ficou um vazio. É vazio. Você está em cada coisa que faço. Em cada coisa que vejo. Em cada música que gosto. Não conheço mais o mundo sem você. A dor não é somente por tê-la perdido. Não. Dói muito mais ter visto você sofrer. Acho que nunca vou conseguir esquecer. Estas lembranças ainda me torcem o estômago. Primeiro te vi com medo. Então, tentei mostrar que não sentia nenhum. Depois te vi com dor e a única coisa que podia fazer era te abraçar. Onde as ruas não têm nome estará em mim para sempre. Você parou de sorrir e eu tentei virar um palhaço. Levei você pela mão. Empurrei a sua cadeira. Por último te peguei no colo. Ainda sinto seus braços em torno de mim. Que falta você faz. Que dor estas lembranças trazem. O que é pior que esta impotência? Se pudesse, por você, faria o mundo girar ao contrário. Se pudesse... Mas não era possível. Só podia como você falava, ser sua fortaleza, seu porto seguro. Agora há um imenso silêncio. Estou em silêncio. Sempre perguntou se éramos os últimos dos moicanos. Seremos para sempre. Aceitar não é entender. Se conformar não é aceitar. Aceito. Não me conformo. Não quero. São minhas reminiscências. É assim que me sinto. Já me disseram que o tempo irá ajudar. Novamente o tempo. Onde estava quando clamei por ele? Não quero mais esperá-lo. Escrevi aqui, certa vez, sobre Lance Armstrong. Para ele, "a dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre”. Então, não ficarei esperando pelo tempo. Vou atrás dele. Minha coragem está naqueles que estão ao meu lado. Minha força é você. Sempre foi.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Fernão Capelo Gaivota


A idéia veio de uma mania minha. Quem me conhece sabe que não apenas sou um leitor inveterado como também possuo muitos livros. Invariavelmente tenho como costume abrir um livro em uma página qualquer e ler o seu conteúdo. Não me pergunte a razão. Não existe nenhuma. Por motivos óbvios, adotarei sempre a página 72 de qualquer livro para transcrever seu conteúdo aqui no blog.. Talvez a idéia não seja das melhores, mas vamos ver para onde ela nos levará. Não escolherei o conteúdo. Pegarei um livro e abrirei na página 72. Simples assim. Vejamos o que acontece.

Do livro: Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach

“A dúzia de gaivotas que treinava junto à costa veio ao seu encontro, sem pronunciar uma palavra. Sentiu apenas que era bem vindo e que esta era a sua casa. Tinha sido um grande dia para ele, um dia cuja aurora já não recordava.
Dispôs-se a aterrar na praia batendo as asas de modo a ficar suspenso a dois centímetros do chão e deixando-se cair levemente na areia. As outras gaivotas também aterraram, mas nenhuma delas movem uma única pena. Esvoaçaram no vento com as asas brilhantes bem abertas...” (P.72)


O vídeo a seguir é do filme Fernão Capelo Gaivota.
A música interpretada por Neil Diamond



domingo, 21 de março de 2010

Muito além do diploma...


Amigos leitores destas reminiscências, correndo o risco de me tornar repetitivo, ainda estou fazendo alguns agradecimentos. Como muitos amigos e familiares participaram de todo o processo ao meu lado, acho justo dividir minhas palavras. O e-mail abaixo foi enviado à Dra Veridiana em 20/03/2010.

Carl G. Jung disse que "Não é o diploma médico, mas a qualidade humana, o decisivo." Escrevo para falar de uma médica. Ou melhor, de uma pessoa com uma qualidade humana que vai muito além de um diploma.
Quando, pela primeira vez, entramos no consultório da Dra. Veridiana já sabia que não encontraria ali uma cura. Portanto; não estava atrás de esperança. Estava atrás de tempo. O próprio tempo se encarregou de mostrar-me que aos cuidados dela, encontraríamos muito mais do que uma fração de tempo. Encontraríamos alguém disposta a nos receber sempre com um sorriso e uma palavra de incentivo. Mesmo quando não havia motivos para sorrir.
A Dra. Veridiana é o tipo de médica que está sempre com a porta aberta. Certa vez, ouvi de uma funcionária que ela era a queridinha dos funcionários e dos pacientes. Fácil entender. Na situação em que nos encontrávamos o diploma médico não possui qualquer valor se o ser humano que o possui não aliar a ele os valores humanos encontrados na Dra. Veridiana.
Escrevo então, para agradecê-la. Não por cada vez que usou seu carimbo em uma receita médica ou pedido de exame. Mas, por cada sorriso. Passei por tudo isso muito de perto. O suficiente para nunca mais pensar em viver isso novamente. Mas, se um dia preciso for, será a Dra. Veridiana que gostaria de ter como médica ao meu lado. Agradeço em nome de toda a minha família. Muitos não tiveram a oportunidade de conhecê-la. Não pessoalmente. Agradeço também em nome da minha esposa. A cada dúvida ou dificuldade que aparecia somente se acalmava após falar com sua médica. Para a Dra. Veridiana, "Se você não pode mudar seu destino, deve mudar sua atitude!" (Amy Tan)

Veridiana Pires de Camargo é médica Oncologista no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo)

sábado, 20 de março de 2010

Carbonara e lombo com ervas...


Esta semana, no nosso encontro semanal, tivemos um convidado. Meu primo Fabio. Não sei se voltará. Vamos esperar a próxima semana. Não comentarei muito sobre os pratos. Não é necessário. Deixarei as fotos darem o recado. Os vinhos, todos ótimos e contribuiram na perfeita harmonização dos pratos.


ESPAGUETE CARBONARA


LOMBO COM MOLHO DE ERVAS


Justificar SORVETE DE FLOCOS COM CALDA DE
FRUTAS VERMELHAS E FARELOS DE SUSPIRO

1) NQN Picada 15 Blend
Branco – 2008
Produtor – Bodegas Neuquen
País – Argentina
Região – Patagonia
Castas – Chardonnay 60% Sauvignon Blanc 40%
Graduação – 13,5 %
Degustação: Aromático, com acidez equilibrada, A sauvignon blanc sobressai nos aromas. Fácil de beber.".

2) Consino Macul
Tinto – 2006
Produtor: Consino Macul
País: Chile
Castas: Cabernet Sauvignon
Teor Alcoólico: 14 % Vol.
Degustação: Muita fruta. Um vinho redondo, fácil de beber. Cabernet Sauvignon no melhor estilo.

3) Fabre montmayor Reserva
Produtor: Domaine Vistalba
País: Argentina
Castas: Malbec
Teor Alcoólico:14,5% Vol.
Decustação: Cor rubi intensa. Aromas de groselha e frutas vermelhas. Vinho encorpado de taninos redondos.

terça-feira, 16 de março de 2010

Minha vida em alguma imagens


"Para compreendermos o valor da âncora,
necessitamos enfrentar uma tempestade."
(Eleonor L. Dolan)

Apesar de se tratar de minhas reminiscências, sempre procurei deixar o blog o menos pessoal possível. Sua concepção, já era o suficiente. Nada pode ser mais pessoal do que o vídeo que divulgarei a seguir. Fiz o vídeo há alguns anos. Não sei precisar a data. Estava na dúvida se devia ou não publicá-lo. Meu filho Sidney me disse que a situação merecia uma exceção. Não foi preciso dizer mais nada. Me convenceu.
No vídeo, muitas pessoas estão faltando. Na época, não tinha fotos de todos. Mas, tenho certeza que os amigos que hoje estão ao meu lado, e não estão nele, saberão encontrar seu lugar na pequena história apresentada. Minha família, já viu o vídeo algumas vezes. Agora espero que agüentem firme e consigam ver novamente. Mais dolorido ainda desta vez. Talvez seja pedir demais.
Minha vida em algumas imagens. Esta é a forma que encontrei para agradecer a todos, que nos últimos meses, têm sido minha âncora. Na última semana, foram mais do que isso. Entraram na tempestade ao meu lado. Ou melhor, na minha frente.



City of Blinding Lights


Não à toa, este blog recebeu o nome de Reminiscências. Os lugares em que estive; as coisas que vi e as pessoas que comigo estiveram, ficaram e estarão sempre de maneira muito especial, retidas em minha memória. Não tenho certeza se conseguirei manifestar meus sentimentos através de palavras. Muitas vezes não. Mas é possível, ao menos, exibir alguns destes momentos. É o que acontecerá em Reminiscências de quem estava lá. Espero que também tenham a oportunidade de reviver algumas lembranças adormecidas...



Quanto mais você vê menos você sabe
Menos você descobre conforme você caminha
Eu sabia muito mais do que eu sei agora


Poucas vezes me emocionei tanto. Ainda hoje é inevitável ao recordar. A música City of Blinding Lights abriu o show da turnê Vertigo do U2.

Coração de néon, olhos dayglo
Uma cidade iluminada por vaga-lumes
Eles estão anunciando nos céus
Para pessoas como nós

E eu sinto sua falta quando você não está por perto
Eu estou me preparando para sair do chão...
Oh, você está tão linda esta noite
Na cidade das luzes ofuscantes

20 de fevereiro de 2006. O show para mim é cercado de simbolismos. Sempre foi. Hoje, a lembrança torna-se quase insuportável.

Não olhe antes de rir
Parece feio numa fotografia
Flashes, íris avermelhadas
A câmera não pode ver

Eu vi você caminhar sem medo
Eu vi você nas roupas que você fez
Você consegue ver a beleza dentro de mim?
O que aconteceu com a beleza que eu tinha dentro de mim?

Para falar a verdade, estou tentando escrever. Faltam-me palavras. Sobram sentimentos. Perdoem a minha melancolia. Mas no momento é assim que me sinto. Claro, não poderia ser diferente. Talvez seja esta a forma de demonstrar toda a minha tristeza.

E eu sinto sua falta quando você não está por perto
Eu estou me preparando para sair do chão...

Oh, você está tão linda esta noite
Na cidade de luzes ofuscantes

Ao ver as imagens do show e a letra da música posso entender. Para falar a verdade, tentei rever o vídeo. Não consegui. A lembrança... A letra...

Tempo, tempo
Não vai me deixar do jeito que eu sou
Mas o tempo não vai levar o garoto que esta dentro desse homem


segunda-feira, 15 de março de 2010

Gênio Indomável


"Se perguntar sobre o amor, citará um soneto.
Mas nunca olhou uma mulher e se sentiu vulnerável..."

(do filme Gênio Indomável)


As idiossincrasias. Foi neste filme que aprendi esta palavra. A cena é do filme Gênio Indomável. Não assisti ao vídeo para ver se está completo ou com alguma falha. Não consigo ainda ver esta cena. Se algo estiver errado me avisem. Vejam o diálogo e entenderam minhas razões.