terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cenas Reminiscentes

A ficha técnica da cena reminiscente da semana passada:

Título: Os safados
Ano de Lançamento (EUA): 1988
Estúdio: Orion Pictures Corporation
Direção: Frank Oz
Elenco: Steve Martin, Michael Cane, Glenne Headly (Janet Colgate).

A próxima cena é minha favorita no cinema. Não sei se será possível entendê-la fora do contexto do filme. Acredito que sim. Para ajudar, o doce será usado como pagamento por alguns favores que o garoto espera receber da menina. O filme, aliás, para quem não viu, em minha opinião é uma das maiores obras-prima já realizada. No filme, podemos encontrar pelo menos três cenas maravilhosas. A primeira é a cena reminiscente desta semana. Nas semanas seguintes mostrarei as outras duas. Para quem não viu o filme fica a indicação...


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O retrato falado - por Emerson Batista

Acabara de desembarcar na rodoviária daquela, até então, desconhecida metrópole. Dentro da única mala, apenas o indispensável para começar uma nova vida.
Olhou para os imensos edifícios. Ainda era difícil acreditar. O sol iluminava o seu rosto queimado, de expressões graves. Os olhos de um azul intenso revelavam um olhar ingênuo e apaixonado. Os cabelos, curtos e o espesso bigode eram morenos como o trigo maduro, o nariz obtuso completava o semblante severo e determinado. Vestia, além da calça jeans, uma camisa marrom com um colete de couro cru por cima. Nos pés uma bota de couro impecável.
Além da bagagem e do pouco dinheiro, trazia consigo a esperança e a vontade de enriquecer. Estava disposto a trabalhar duro para isto. Investiu todo o seu capital na compra daquele pequeno pedaço de terra. Uma pechincha. Seria fazendeiro.
Deixou para trás o emprego de balconista na mercearia Santa Fé. Ainda que sobre os protestos de seu Nicolau, dono do estabelecimento no qual trabalhava desde os doze anos de idade. Tempo suficiente para acumular fundos para a realização de seu sonho. E assim, na primeira oportunidade, tratou de segurá-la com ambas as mãos.
Abriu a porta traseira do taxi e jogou a mala. Sentou-se fascinado e estendeu o braço por sobre o ombro do motorista entregando-lhe um papel com o endereço desejado.
- De Minas? – arriscou o motorista tentando puxar assunto.
- Não – sentenciou.
Nasceu e criou-se em uma pequena cidade ao sul de Goiás. Pouca gente já ouvira falar e não foi diferente com o motorista que apesar de nunca tomar conhecimento de sua existência, assentiu com a cabeça.
Estava deslumbrado com as ruas, casas e prédios no caminho. Tudo era diferente. Preso ao porta-luvas do veículo um jornal mostrava o desenho de um retrato falado. Encontrava-se dobrado. Não pôde ler nada a respeito, mas o rosto lhe parecia familiar. Aos poucos foi deixando-se levar pelos pensamentos. Ainda não sabia o que iria plantar. Dependeria do tipo de terra e condições do clima. Gostaria de ter algumas cabeças de gado. Uma dúzia de cavalos. Quem sabe um lago para pescar. Na verdade o dinheiro que sobrou daria apenas para algumas sementes. Não desanimaria.
O carro contornou uma curva e entrou em uma grande avenida. O motorista olhando pelo retrovisor mais uma vez tentou puxar conversa.
- Acho que hoje não chove.
Não respondeu. Do lado direito pôde ver uma enorme área verde. Crianças brincando, ciclistas, gente de todas as idades correndo, andando. Vendedores com carrinho de pipoca e cachorro quente.
- Que lugar é esse? – Perguntou diante de tal espetáculo.
- Aqui é o Parque Ibirapuera – Respondeu enquanto estacionava o carro pondo fim à corrida.
Novamente olhou para o retrato no jornal. Lembrou-se de onde o conhecia. Retirou uma folha de um envelope em suas mãos. Logo após o seu nome estava escrito: “Proprietário da Fazenda Ibirapuera, situada à rua...” Não queria ler mais nada. Encostou-se ao banco e ordenou ao motorista:
- De volta para a rodoviária.

Ai...ai

Valdir Espinosa no Fluminense. Mais um nome da lista! Eu sei, ele é auxiliar do Renato. Agora faltam poucos nomes. Alguém aí quer o Sebatião Lazarone? Se eu fosse ele começava a aparecer em programas esportivos...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Cenas Reminiscentes

Manterei a promessa feita na semana passada. Antes de colocar a nova Cena Reminiscente da semana, fiquei devendo os dados referentes à cena anterior.

Título Original: Fletch Lives
Ano de Lançamento (EUA): 1989
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Michael Ritchie
Elenco: Chevy Chase, Hal Holbrook, Julianne Phillips, R. Lee Ermey, Patricia Kalember

Este é o 2º filme protagonizado pelo personagem Fletch. O anterior é Assassinato por Encomenda (1985).
Los Angeles. Um repórter investigativo, Irwin Maurice 'Fletch' Fletcher (Chevy Chase), está cansado de ser enrolado por seu chefe, Frank Walker (Richard Libertini), e pede demissão ao saber que herdou uma grande propriedade na Louisiana. Ao chegar ele descobre que é uma mansão caindo aos pedaços, mas em compensação logo se envolve com a bela e sensual Amanda Ray Ross (Patricia Kalember), a advogada encarregada de cuidar da herança. Porém o relacionamento não dura um dia, pois enquanto Fletch e Amanda dormiam juntos ela é morta. Ele nada repara na hora, notando apenas na manhã seguinte. Paralelamente Fletch resolve investigar o motivo de estar sendo pressionado para vender a propriedade que herdou.
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A cena Reminiscente desta semana foi tirada de outra comédia. Infelizmente não encontrei uma cena mais curta mas, se tiverem um pouquinho de paciência a parte que gostaria de mostrar é quando o médico, interpretado por Michael Cane, utiliza uma varinha nas pernas do paciente estrelado por Steve Martim... Hilário


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O feitiço virando contra o feiticeiro!


Outro dia escrevi aqui no blog sugerindo o nome de alguns técnicos para os times rivais do Corinthians. Para quem não percebeu, era uma brincadeira. Incrível. Em minha opinião, os nomes da lista tinham pouca chance de serem lembrados no momento. Estava enganado. Outra vez. Dois dos nomes listados acabaram de ser contratados para dirigirem equipes da série A (ou quase série B). Antonio Lopes no Atlético Paranaense e o mais inacreditável Péricles Chamusca no Sport. Agora só estou esperando a classificação de um deles para Libertadores. Se bobear um deles ainda vai acabar no Timão... Sai Zica! (batendo na madeira).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Atravessei o deserto do Saara...

Escrevi sobre a nova gripe e a precariedade do sistema de saúde brasileiro. Não queria perder mais tempo com este assunto, apesar de sua importância, mas... Ontem meu filho não estava muito bem e resolvemos levá-lo ao hospital. Já era meia noite e como, graças a Deus, temos convênio médico (ruim com ele pior sem, acreditem) o levamos a um hospital que consideramos ser acima da média. Chegamos e vimos muitas pessoas com máscaras. Apesar dos acontecimentos, não estamos acostumados. Ainda no balcão descobrimos que a fila de espera era de cerca de duas horas. Pois é! Duas horas... Meia noite! Fazer o que? Esperamos...
Sentado esperando, contei (de verdade) nove pessoas com máscara. Até aí nada de estranho, se não fosse pelo fato de as máscaras estarem sendo usadas no queixo. Três delas eram funcionários do próprio hospital. Para que serve uma máscara no queixo?
Aí me ocorreu... Brasil... País do carnaval... Máscara... Tudo a ver! Logo estarão sendo produzidas em diferentes cores e modelos. Para combinar com a bolsa, com a gravata... Um amigo falou outro dia: Vi um rapaz de máscara, devia estar gripado! Pois é... Não entendo mais nada... Achava que a idéia era exatamente o contrário... Sei lá
No final, enquanto esperávamos, meu filho que estava sentindo um pouco de dor de cabeça foi melhorando e resolvemos ir embora antes de sermos atendidos. Até porque, esquecemos nossas máscaras...
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Em tempo: Depois do ouro Olímpico César Cielo arrebatou o ouro no mundial com direito a quebra de recorde. Não irei me alongar. Já escrevi demais sobre as dificuldades de praticar esporte no Brasil. Mas que fique registrado: O ouro de Cielo na Olimpíada não foi por acaso e, muito menos um fato isolado. Cielo é definitivamente um fora de série. Mais uma vez... Ave César!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ah se eu pudesse!


Estava chovendo. Pela janela via a rua deserta. A noite escura parecia engolir a cidade. Não conseguia dormir. Estava ali parado em frente da janela perdido em pensamentos que não faziam o menor sentido. Aliás, nada fazia sentido. Estava amargurado. Sentia-me amargurado. Não sei explicar o motivo. Não preciso explicar. Lembrei da minha infância. Não me sentia assim na infância. Amargura é um sentimento que vem com a maturidade. Com experiências adquiridas. Quando somos jovens temos aflições, podemos ficar tristes, com raiva. Mas não ficamos amargurados. Quando somos jovens o mundo está à nossa frente. Com o tempo ele também vai ficando para trás. O passado começa a ser mais relevante que o futuro. Lembramos de tempos remotos e de pessoas que já se foram; por um motivo ou por outro. Não gostaria de mudar o passado, apenas revivê-lo. Desta vez bem devagar. Sem pressa.
Ficaria ali parado vendo minha mãe preparar o jantar. Não sentiria fome. Não desejaria que a comida ficasse pronta. Gostaria de sentir seu aroma também. Quero esperar meu pai e vê-lo novamente entrar pela porta. Quero que leve uma eternidade para que a porta feche atrás dele. Não mudaria nada. Tenho saudades do cheiro da terra molhada da minha rua. Quando não tinha asfalto. Brincaria na rua novamente. Desta vez teria meus irmãos mais perto. Escutaria novamente todas as besteiras que são ditas numa rodinha de garotos. Daria risada. Escutaria minha mãe gritando meu nome. Prestaria atenção nos vizinhos. Adultos que não foram notados quando estávamos brincando. Talvez angustiados, procurassem em nós garotos uma maneira de voltar a serem crianças. Uma maneira de fazer o tempo passar mais lentamente. Gostaria de sentar novamente na carteira de uma sala de aula. Olhar para o lado e ver o rosto de meus colegas. Rostos que já não lembro mais. Rostos que ainda lembro. E, claro, rostos que jamais esquecerei. Hoje sei que aprenderia com o professor muito mais do que conceitos sobre determinado assunto. O que ele tinha para ensinar eu nunca quis aprender. Que pena. Ah se eu pudesse!