segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Parte 34 – Trigésimo quarto contato



AMIGO, ESPERO QUE ESTEJA BEM!

Como foi que eu descobri estes poemas? Ou melhor; quem foi? Eu ou você? O que deve estar se perguntando é: Eu não sei a resposta? Claro, eu deveria saber! Não vou responder à sua dúvida. É tudo muito confuso. Melhor não pensarmos nisso. Mais paradoxos; paradigmas. Em minha vida, estão por todos os lados. Fez a pesquisa? Encontrou-os? Não quero deixá-lo traumatizado. Fique tranquilo; viva de acordo com o que aprendeu com Herrick e Horácio. “O velho tempo corre sem fim...”.
Falando em traumas; lembra-se de certo estojo? Certa vez caiu no chão... Enfim! Traumas precisam ser resolvidos. Não importa quanto tempo leve. Algumas coisas podem ser inesquecíveis. “Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso...” Agora, sabe o que quero dizer.
Dizem que o homem sem medo motiva-se a ir além. Escolhas são feitas. Sempre. Quando chegamos a uma encruzilhada, não podemos, simplesmente, ficar parados sem saber o caminho a seguir. Fazemos uma escolha e seguimos à diante. Mas é preciso saber: em uma encruzilhada não conhecemos o caminho correto. É uma escolha mais difícil. Quando sabemos o final de cada estrada, a escolha torna-se mais fácil e não há por que lamentar-se pelo caminho escolhido. É uma atitude consciente. “Que não te acanhes, e que o tempo aproveites...”
Surge assim, a importância de entender outro sentimento: a vontade. Não vou citar o dicionário como de costume. Se achar necessário, pode fazê-lo você mesmo. Segundo a filosofia, a vontade está na relação entre o livre-arbítrio e o determinismo. Os atos da vontade, segundo dizem, ocorrem com representações conscientes do fim. Resumindo; é preciso querer! “Colhe o dia; cada dia menos confia no amanhã...”. Hiperbulia! Sempre. Fernando Pessoa fez a seguinte indagação: Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

UM GRANDE ABRAÇO!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Auto ajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada



Encontrei este texto no blog Simples Coisas daVida. O autor, Antonio Prata, é escritor. Publicou alguns livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda", de onde foi retirada esta bem humorada crônica.
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Auto ajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada. Tá bom: ioga, psicanálise, ikebana e danças de salão podem nos ajudar a entrar em harmonia com nosso próprio eu, nos tornarmos seres humanos mais evoluídos e blábláblá, mas quando o pé amado toca a incauta bunda, neguinho não vai sentar-se em flor de lótus, escarafunchar seu processo edípico, podar a samambaia nem dançar um tango argentino: vai é manguaçar.
É só ali, já mais perto da última dose que da primeira, limados os graves e agudos – naquela quarta dimensão etílica: nem dentro nem fora de nós mesmos –, que podemos respirar aliviados, encher o peito e dizer que aquela ingrata não vale nada, que nós somos maiores que isso e que a vida, meu amigo, a vida é uma coisa assim, a vida é assim uma coisa… Enfim, uma coisa dessas que a gente diz sobre a vida quando está bêbado.
Se nas avalanches emocionais o nosso amigo álcool aparece como um são-bernardo salvador, em nossos projetos mais ousados ele surge como um cão-guia, um labrador a nos indicar os caminhos para além do labirinto de nossas inibições. Em outras palavras: sem o álcool eu seria virgem até hoje. Em plena adolescência ficar pelado diante de uma menina, sóbrio? Só um psicopata seria capaz de tamanha frieza.
O que mais lastimo é que os chopes só tenham vindo transformar asfalto em edredom quando eu já era quase um adulto. Como é que na infância, a fase mais hardcore da vida, só havia groselha, Fanta Uva e Toddynho em meu copo? Ah, se na quarta série eu conhecesse as benesses do álcool, Joana, tudo teria sido diferente!
Lembra quando te pedi em namoro numa cartinha? Você disse não. Mas é claro! Que passo desastrado, mandar uma carta a alguém que você nunca beijou na boca perguntando uma coisa dessas. Só um ser humano completamente sóbrio cometeria tamanha patacoada. Se ao invés do bilhete tivesse te convidado pra tomar um chope na cantina, te contasse aquela piada de português que meu tio Aristides havia me ensinado, te mostrado habilmente como fazer uma boca de loco incrementada, um aviãozinho que dava looping, quem sabe, Joana, eu e você, na quarta série, hein?
Bem, se eu tinha sobrevivido ao primeiro dia de aula da primeira série, a seco, não seria na quarta que a coisa iria degringolar. Lembro bem daquele dia. Eu havia passado dos dois aos seis anos numa outra escola. A vida toda, portanto. Não conhecia ninguém ali. Era praticamente um exilado político brasileiro chegando na Suécia. Imagina só se tivéssemos todos tomado um uisquinho antes? Chegaríamos confiantes, sorridentes, sem nem nos preocuparmos se seríamos aceitos ou se já na segunda aula ganharíamos para sempre o apelido de Dumbo, Gordo, Anão… E se durante o recreio – aquele climão de banho de sol em penitenciária –, em vez de comermos Cebolitos, ensimesmados em nossa timidez, tomássemos um vinho em canequinhas da Turma da Mônica, em torno da cantina? O entrosamento seria tão mais fácil. (A educação física ficaria comprometida, mas quem liga para polichinelos diante da concórdia universal?)
A dura jornada tinha na volta, na perua, seu gran finale. Depois de cinco horas estudando aquelas coisas chatas, uma hora e meia no trânsito, buzina, estresse. Se nossas mamães pusessem uma garrafa térmica na lancheira com caipirinha, essas longas jornadas noite adentro seriam inesquecíveis happy hours, road movies infantis. E nós todos ali dentro, pequenos Kerouacs e Dennis Hoppers mirins, cruzaríamos a cidade a cantar a plenos pulmões os últimos sucessos do Balão Mágico, Menudo e Trem da Alegria, alheios ao resto do mundo.
Se na escola já era difícil, imagina aos dois anos, quando você se deu conta, desesperado, que a mulher da sua vida tinha outro? Que aquela dissimulada te alimentou falsas esperanças enquanto se deitava com outro toda noite e, pior, esse outro era seu próprio pai! Ah, nesse momento o maternal deveria ser um pub enfumaçado cheio de pobres diabos dilacerados diante desse protocorno incurável – essa feriada cuja ilusão de cura nos atirará em todas as maiores roubadas de nossas vidas dali pra frente, do jardim dois até a cova. Aguardente na mamadeira era o mínimo que eu esperava diante dessa hecatombe emocional e, no entanto, só nos ofertaram Hipoglós, nana nenê e leite morno. Como são cruéis esses adultos.
Agora, se de todos os momentos trágicos da vida eu pudesse escolher um, somente um, para receber o afago etílico em minh’alma, seria obviamente o nascimento. Nós estávamos no quentinho, boiando, recebendo comida na barriga, numa eterna soneca de manhã chuvosa de domingo, quando veio aquele aperto, aquele barulho, aquela luz terrível e o frio, meu Deus, que frio. Nesse momento um ser humano sensato deveria ter me olhado nos olhos, percebido o profundo desamparo e, clemente, dado uma talagada duma aguardente qualquer e dito: bebe, criança, bebe que a vida é dura, bebe que a vida é longa e não tem mesmo o que fazer. Mas não, me viraram de ponta a cabeça, me deram um tapa na bunda e ficaram me vendo chorar, sorrindo. Depois de um começo assim a gente pensa o quê? Que vai resolver na análise? Na ioga? Fazendo arranjo de flores? Dançando chá-chá-chá? Não, meu irmão: autoajuda pra mim é cachaça, o resto é conversa fiada.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tudo tem seus custos...


           
 Sou um Sherlockiano. Pode parecer bobo, mas assumo esta condição. Sherlock Holmes foi qualificado como uma das três personalidades mais conhecidas do mundo. “Ele é a personificação de algo em nós que perdemos ou nunca tivemos.” (Edgard W. Smith). Este espaço destina-se, portanto, para alguns pensamentos, retirados do cânone, do famoso detetive.
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“Tudo tem seus custos.”
“O que?”
“Aprender a ver o quebra-cabeça em tudo. Eles estão em tudo. Uma vez que você começa a procurar, não para mais. O que acontece é que as pessoas e todos os enganos e ilusões que informam tudo que elas fazem, tendem a serem os quebra-cabeças mais fascinantes. Claro, nem sempre elas apreciam serem vistas desta forma.”
“Parece solitário viver assim”.
“Como eu disse, tudo tem seus custos”.

(Sherlock Holmes em The Elementary)

domingo, 25 de novembro de 2012

Coragem, agir com o coração


Algumas coisas não possuem explicação. Ou talvez tenham. Não importa. Talvez, sejam importantes apenas para nós. Então, não devemos tentar explicar. Não seria possível. Algumas coisas nos fazem bem. Muito bem. Pode ser qualquer coisa. Uma música, um filme, uma pessoa ou mesmo um chocolate. Simplesmente por que me faz bem. Sem muita explicação.

"Para viver a experiência da coragem, é necessário viver a experiência do medo. Essa virtude não visa diminuir o medo, mas sim superá-lo. O guerreiro ideal deve experimentar tristeza e serenidade. É daí que ele vai tirar a sua grande coragem". 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Henry Miller


Henry Miller é meu escritor preferido. Reservarei então um espaço para seus textos. Desta maneira o amigo, leitor destas reminiscências, terá a oportunidade de conhecer um pouco do universo de Miller...

"Bom, para começo de conversa, comecei ainda lhe apresentando um sorriso ameno e tranquilizador, você é um canalha e sabe disso. Tem medo de alguma coisa, ainda não sei do quê, mas vamos chegar lá. Comigo, você faz de conta que é simplório, um joão-ninguém, mas de si para si tem-se na conta de muito esperto, de importante, de durão. Não tem medo de coisa alguma, não é mesmo? Tudo conversa fiada, e você sabe muito bem. Vive cheio de medo. Diz que aguenta. Aguenta o quê? Um murro no queixo? Claro que aguenta, com uma cara de concreto feito a sua. Mas será que aguenta a verdade?"


sábado, 3 de novembro de 2012

A alma adormecida dos tolos



"... no fundo nunca fomos o que éramos antes, 
só lembramos o que nunca aconteceu..."
(Carlos Ruiz Zafón)

Zafón tem realmente uma habilidade única com as palavras. Claro; é sempre uma questão de gosto. De identificação. Seus livros e frases me trazem diversos questionamentos. Ainda bem; melhor assim. A última de O prisioneiro do céu: “Louco é quem se acha sensato e pensa que não tem nada a ver com a categoria dos tolos”. Calma. Pode ler novamente. Eu espero.
Realmente somos todos tolos. E para ficar bem entendido, tolo significa: “quem diz ou pratica tolices; sem inteligência ou sem juízo. Tonto, simplório, ingênuo, abestalhado, abobado, amalucado. Que não tem razão de ser; infundado...” Você já sabia. Eu sei. Não queria deixar dúvidas...
“Tudo se perdoa nesta vida, menos dizer a verdade.” Esta afirmação está no mesmo livro. Então, perdoem este tolo que nada tem de sensato e há muito tempo deve ter ficado louco. Pense por um segundo em sua vida. Não é tudo tão simples? Tudo tão claro? Então... Somente sendo muito tolo! Não concorda?
Li certa vez que esperança é certeza. De acordo com a igreja Católica, a esperança é a segunda das três virtudes teologais. Não vou escrever sobre religião. Não é este o caso. Mas, vamos concordar: esperança deve ser mesmo uma virtude. E, citando mais uma vez Zafon, “... uma vez perdida toda a esperança, o tempo começa a correr depressa e os dias sem sentido adormecem a alma...” E quem quer ter a alma adormecida? Somente um tolo...

domingo, 21 de outubro de 2012

Como capturar porcos selvagens



A arte de agradar muitas vezes encobre a arte de enganar. 
(Textos Judaicos)

Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuitamente. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca em apenas um lado do lugar no qual eles se acostumaram a vir.
Quando eles se acostumam com a cerca, eles voltam a comer o milho e então, você coloca outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo.
Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios...

(Autor  desconhecido)