terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quase - Sarah Westphal



"Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, 
nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão 
do papel por essa maldita mania de viver no outono".

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(O texto já foi atribuído a Luís Fernando Veríssimo. Em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo, ele mesmo diz ser o texto de autoria de Sarah Westphal Batista da Silva).

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Roda da Fortuna



“Creio que quase sempre é
preciso um golpe de loucura para se construir um destino”.
 (Marguerite Yourcenar)

No livro Os sete pilares da sabedoria, cito ele mais uma vez, é dito a Lawrence: “Para alguns homens na está escrito a menos que eles escrevam...” Já utilizei esta frase em meus textos. O leitor mais assíduo deverá reconhecê-la. Na verdade, não apenas em meus textos. Está em minha essência.
A frase é proferida à Lawrence quando ele recusa-se a aceitar o que os árabes chamam de Maktub. Está escrito. Não penso ser necessário recorrer à Roda da Fortuna e às três irmãs Moiras da mitologia grega para conhecer nosso destino.
Acreditar em uma sucessão de acontecimentos relacionados a uma determinada ordem cósmica, da qual nada pode fugir, não muda, absolutamente, nossas decisões. Pelo menos, não deveria. O perigo está em utilizar essa crença como quintessência de nossos atos. Nessa, estou com Aristóteles: "O que está além de nossa experiência sensível não pode ser nada para nós".
Espere. Não estou dizendo que não acredito. Também não falei que sim. Minhas crenças pouco importam. Na verdade, pouco importa também se o destino existe ou não. A pergunta é: Se o destino existe e você acredita nele, deverá cruzar os braços? Como sempre, vou citar Miller: “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”. Maktub.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

To - Edgar Allan Poe



"Esse meu ficar parado na dourada
Fronteira do escancarado portão dos sonhos,
Observando, em transe, a vista deslumbrante abaixo..."

Já não faz muito tempo, que o autor dessas linhas,
No louco orgulho de intelectualidade,
Manteve "o poder das palavras" - negava que
Um pensamento vinha ao cérebro humano
Além da declaração da língua humana:
E agora, como zombando daquele elogio de si,
Duas palavras - dois doces dissílabos estrangeiros -
Tons italianos, feitos para serem sempre murmurados
Por anjos dormindo no, sempre iluminado pela lua, "orvalho
Pendurado como colar de pérolas em Hermon Hill,"-
Se moveram para fora dos abismos do seu coração,
Palavras quase impensadas, mas que são a alma do pensamento,
Mais rico, bem mais selvagem, visões bem mais divinas
Que mesmo o serafim de harpa, Israfael
(Que tem "a mais doce voz de todas as criaturas de Deus")
Teria querido declarar. E eu! Meus feitiços se quebraram.
A caneta se deixa cair impotente da minha mão imobilizada.
Com teu doce nome por texto, apesar de comandado por ti,
Não posso escrever - Não posso falar ou pensar -
Ei-lo! Não posso sentir; Pois não é sentimento,
Esse meu ficar parado na dourada
Fronteira do escancarado portão dos sonhos,
Observando, em transe, a vista deslumbrante abaixo
E emocionante como vejo, à direita,
À esquerda,e por todo lugar,
Por entre vapores sem importância, longe
Para onde a busca termina - apenas você.

(Traduzido por Cristiano Gomes)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Redes Sociais



Um dia deste, um grande amigo, leitor assíduo destas Reminiscências, referindo-se às redes sociais disse:

“É bom para rever amigos que não vejo há muitos anos? Os amigos que gostam de mim de verdade estão ao meu lado. Não ficaram muitos anos sem entrar em contato...”. (Marcel Zamora)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Os sete Pilares da Sabedoria - T. E. Lawrence



A ideia veio de uma mania minha. Quem me conhece sabe que não apenas sou um leitor inveterado como também possuo muitos livros. Invariavelmente tenho como costume abrir um livro em uma página qualquer e ler o seu conteúdo. Não me pergunte a razão. Não existe nenhuma. Por motivos óbvios, adotarei sempre a página 72 de qualquer livro para transcrever seu conteúdo aqui no blog.. Talvez a ideia não seja das melhores, mas vamos ver para onde ela nos levará. Não escolherei o conteúdo. Pegarei um livro e abrirei na página 72. Simples assim. Vejamos o que acontece.

Do livro: Os sete Pilares da Sabedoria - T. E. Lawrence

(...) e sua natureza era muito pura para que percebesse ou desconfiasse de motivos escusos naqueles que o cercavam. Por isso, era presa fácil de qualquer companheiro constante, sensível demais para um grande líder, embora sua pureza de intenções e seu comportamento granjeasse o amor de todos aqueles que tinha contato direto. Se Faissal não fosse um profeta, a revolta teria que se contentar com Ali como chefe. P.72

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Arrependimentos...



“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade(...) Essa é uma das coisas mais bonitas que acontecem no fim da vida: A gente perde a nossa capacidade de fingir... Nessa hora bate aquela coisa... Puxa! E se eu tivesse dito que eu amava..."
(Dra. Ana Claudia Arantes)

The top five regrets of the dying, livro escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte. O livro pode ser traduzido como: “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”. O vídeo, divulgado pelo Hospital Albert Einstein, trás a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Hospital – que de acordo com a sua experiência, comentou cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira o vídeo abaixo. (Fonte: blog Simples Coisas da Vida)



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012



Definições não podem ser compreendidas apenas como o significado de algo. Definir pode ser muito mais complexo.  Pensando desta maneira, Adriana Falcão, roteirista e escritora brasileira, encontrou algumas definições que extrapolam as explicações encontradas nos dicionários.

"Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer 
mas acha que devia querer outra coisa".