
"O meio mais eficaz para obter fama é fazer o mundo acreditar que já se é famoso. "
(Giacomo Leopardi)
Estava evitando o assunto por acreditar que o assunto deveria ser evitado. A esta altura, todos já devem ter tomado conhecimento da estudante expulsa de uma universidade por causa de uma mini-saia. Convenhamos, a estudante conseguiu uma proeza. Ser expulsa em virtude de uma saia curta e ainda conseguir ser hostilizada por todo o Campos Universitário não é para qualquer um. Enfim! Não quero entrar no mérito da questão. Que, aliás, não possui mérito algum. Na verdade, como falei, estava procurando ignorar o assunto. Ele não tinha a menor importância ou, ao menos, não deveria ter. Mas, para minha surpresa ou deveria dizer indignação, a estudante virou celebridade. Resolvi escrever sobre o assunto ao vê-la no programa Altas Horas da Rede Globo e uma matéria em um jornal com o título "Em moda com Geyse" (ou algo parecido). Não vi a entrevista no programa e nem li o artigo no jornal. Ainda bem.
Dizem que o Brasil é um país que não valoriza seus ídolos. Começo a entender por que. Por aqui não é difícil virar celebridade. Qualquer motivo parece servir. Não precisa ser um grande motivo. Pode ser curto como uma saia mesmo. Talvez, a culpa seja minha. Talvez, eu não entenda muito bem o significado de celebridade. Vou recorrer ao dicionário então. Quem sabe encontre uma luz no fim do túnel. E que não seja um trem vindo ao contrário. Do dicionário, celebridade: “Que se distingue pelas suas qualidades ou feitos. Ilustre, insigne, notável. Que é fora do comum. Estranho, extravagante, singular.” É... Agora compreendo. Estava errado realmente. Desculpem a minha ignorância. A estudante, verdadeiramente, merece o posto. Realmente ela se distingue pelos seus feitos. É notável, fora do comum, extravagante e singular. Uma celebridade! Chego então à conclusão: o errado sou eu! Vou desligar a televisão...







