domingo, 15 de novembro de 2009

Saia Justa...


"O meio mais eficaz para obter fama é fazer o mundo acreditar que já se é famoso. "
(Giacomo Leopardi)

Estava evitando o assunto por acreditar que o assunto deveria ser evitado. A esta altura, todos já devem ter tomado conhecimento da estudante expulsa de uma universidade por causa de uma mini-saia. Convenhamos, a estudante conseguiu uma proeza. Ser expulsa em virtude de uma saia curta e ainda conseguir ser hostilizada por todo o Campos Universitário não é para qualquer um. Enfim! Não quero entrar no mérito da questão. Que, aliás, não possui mérito algum. Na verdade, como falei, estava procurando ignorar o assunto. Ele não tinha a menor importância ou, ao menos, não deveria ter. Mas, para minha surpresa ou deveria dizer indignação, a estudante virou celebridade. Resolvi escrever sobre o assunto ao vê-la no programa Altas Horas da Rede Globo e uma matéria em um jornal com o título "Em moda com Geyse" (ou algo parecido). Não vi a entrevista no programa e nem li o artigo no jornal. Ainda bem.
Dizem que o Brasil é um país que não valoriza seus ídolos. Começo a entender por que. Por aqui não é difícil virar celebridade. Qualquer motivo parece servir. Não precisa ser um grande motivo. Pode ser curto como uma saia mesmo. Talvez, a culpa seja minha. Talvez, eu não entenda muito bem o significado de celebridade. Vou recorrer ao dicionário então. Quem sabe encontre uma luz no fim do túnel. E que não seja um trem vindo ao contrário. Do dicionário, celebridade: “Que se distingue pelas suas qualidades ou feitos. Ilustre, insigne, notável. Que é fora do comum. Estranho, extravagante, singular.” É... Agora compreendo. Estava errado realmente. Desculpem a minha ignorância. A estudante, verdadeiramente, merece o posto. Realmente ela se distingue pelos seus feitos. É notável, fora do comum, extravagante e singular. Uma celebridade! Chego então à conclusão: o errado sou eu! Vou desligar a televisão...


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Epopéia Gastronômica


Esta semana não deveria chamar Vinho nas Quintas. Foi mais para uma maratona gastronômica. Se não bastasse o prato principal a noite teve ainda tábua de queijo e frios e duas sobremesas. Os vinhos degustados harmonizaram com cada prato. A epopéia está descrita abaixo, depois da foto com os pratos degustados. Em visita ao filho Reinaldo, Dona Gilda deixou as sobremesas de presente. Escolheu o dia certo. Uma delícia!

1- Frango grelhado com ervas, batata sauté com lascas de parmesão, alface americana com alcaparras e arroz branco.
Harmonização:
Viña Tarapaca Sauvigno Blanc
Branco - 2007
Chile - Maipo
Produtor: Viña Tarapaca
Alcool: 13% Vol.
Descrição: Vinho frutado. Ligeiras notas de coco e baunilha. Equilibrado, harmônico, com acidez envolvente, retrogosto longo e firme.

2- Tábua de frios e queijos.
Harmonização:
Carmen Classic Cabernet Sauvignon
Tinto - 2006
Chile - Rapel
Produtor: Viña Carmen
Alcool: 14% Vol.
Importadora: Mistral
Decrição: Chamado de "Value Wine" por Robert Parker por sua excelente relação qualidade/preço, o saboroso Classic Cabernet Sauvignon é elaborado com uvas de alguns dos vinhedos mais bem localizados do Chile. Mostra boa tipicidade em um conjunto muito equilibrado e agradável, fácil de gostar.

3- Torta Bahiana (Receita Dona Gilda).

4- Café preparado na cafeteira italiana e bolo de cenoura com cobertura de chocolate (Receita Dona Gilda).


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Rio Bravo


Onde começa o inferno (Rio Bravo, 1959) é o western perfeito. Clássico de Howard Hawks. Ao contrário do que pode parecer, ou se esperar de um western, Rio Bravo não é um filme com muita cena de ação. Muito pelo contrário. São raras. Muitos críticos classificam o filme como “western psicológico”. A cena reminiscente escolhida de Rio Bravo, é uma cena musical. Adoro a cena. Adoro os atores. Adoro a música. Adoro o filme. Adoro. O filme me faz lembrar, sempre, de meu pai. Ele é fã do filme, mais ainda do que eu. A cena do tiroteio final também poderia estar aqui. Ou a cena do "borrachon", com o Dean Martin. Mas a cena que, verdadeiramente, me é reminiscente é a escolhida para ser exibida aqui. E esta é minha cena preferida...



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Onde as ruas não tem nome


Eu quero correr, eu quero esconder,
Eu quero derrubar as paredes,
Que me seguram por dentro,
Eu quero alcançar e tocar na chama,
Onde as ruas não têm nome
(da música: Where the streets have no name do U2)


Oscar Wilde disse que viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe. É verdade. A maioria. Felizmente não é o meu caso. Não porque tenha feito algo extraordinário. Pensando bem, fiz sim. Pensando bem, tenho algo extraordinário. Felicidade. Onde as ruas não têm nome. Não porque estão esquecidas. Não porque estão perdidas. Simplesmente porque não é necessário. Simplesmente porque não importa. Onde as ruas não têm nome. Entendemos-nos pelo olhar. Pensamos ao mesmo tempo. Falamos juntos. Não falamos nada. Falamos tudo. Onde as ruas não têm nome. Escutamos uma música. Lembramos um do outro. Lembramos de um momento. Lembramos de todos os momentos. Nunca esquecemos. Jamais acabará.
A música Where the streets have no name, do U2 é, para mim, especial. Na verdade tornou-se especial ao longo tempo. Não pela sua letra. Mas porque foi a primeira. Depois dela, não precisou de outras. O vídeo também esteve presente no início. Então também é especial. Viver é especial. Eu posso alcançar e tocar a chama. Já alcancei. Já fui consumido. Já derrubei as paredes. Nada me segura. Onde as ruas não têm nome.

Eu quero sentir a luz do sol no meu rosto,
Eu vejo a nuvem de poeira desaparecer sem deixar pista,
Eu quero me abrigar,
Da chuva ácida,
Onde as ruas não têm nome,
(da música: Where the streets have no name do U2)



terça-feira, 10 de novembro de 2009

Trópico de câncer


“Só os que são capazes de admitir a luz em suas entranhas podem traduzir o que há no coração.” (Henry Miller em Trópico de câncer)

Nenhum autor me impressionou tanto quanto Henry Miller. Sem obedecer a uma seqüência linear, o texto de Miller é avassalador. Hesitei em recomendá-lo. Alguns terão dificuldades em digerir o forte texto. Talvez a maioria. Em uma lista dos melhores livros, lembro primeiro de Trópico de câncer (1934).
Fernando Bonassi, colunista da Folha, encontrou os mesmos sentimentos que eu ao descrever o livro: “Não é apenas um livro o que você têm nas mãos. Aliás, muito cuidado ao abri-lo. Quando um texto é resultado de mergulhos tão profundos no poça da verdade, o resultado pode, no mínimo não cheirar bem (...) Trata-se das anotações minuciosas de um homem que abandonou as convenções de sua época em nome daquilo que nem todos os gregos conseguiram, embora recomendassem veemente: o conhecimento de si mesmo (...) Você tem nas mãos um livro nojento, grandioso, estimulante, infernal. Você tem nas mãos o Livro da vida! Diante de uma experiência como essa, só o arrebatamento. Isto posto, abra-o... concentre-se, ajoelhe-se e faça-se merecedor de tanta sabedoria.”

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Encomendando uma pizza no ano de 2054


Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
Cliente: Boa noite, quero encomendar pizzas...
Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?
Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é: 610204791993-8456-54632107.
Telefonista: Obrigada, Sr. Lewis. Seu endereço é 1742 Meadowland Drive, e o número de seu telefone é 494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Insurance é o 745-2302 e o seu celular é 266-2566. De que número o Sr. ligou?
Cliente: Bem, estou em casa. Como você conseguiu essas informações todas?
Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e outra calabresa...
Telefonista: Talvez não seja uma boa idéia..
Cliente: O quê?
Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.
Cliente: É, você tem razão! O que você sugere?
Telefonista: Por que que o Sr. não experimenta a nossa pizza Superlight,com tofu e rabanetes? O Sr. vai adorar!
Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?
Telefonista: O Sr. consultou o site "Recettes Gourmandes au Soja" da Biblioteca Municipal, dia 15 de janeiro, às 14h27, onde permaneceu ligado à rede durante 36 minutos. Daí a minha sugestão..
Cliente: OK, está bem! Mande-me duas pizzas tamanho família!
Telefonista: É a escolha certa para o Sr., sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.
Cliente: Quanto é?
Telefonista: São $49,99.
Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?
Telefonista: Lamento, mas o Sr. vai ter que pagar em dinheiro! O limite do seu cartão de crédito já foi ultrapassado.
Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza.
Telefonista: Duvido que consiga, o Sr. está com o saldo negativo.
Cliente: Meta-se com a sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
Telefonista: Estamos um pouco atrasados; serão entregues em 45 minutos. Se o Sr. estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso...
Cliente: Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?
Telefonista: Peço desculpas, apenas reparei que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.
Cliente: @#%/§@&?§/%!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Telefonista: Gostaria de pedir ao Sr. para não me insultar...não se esqueça de que o Sr. já foi condenado em julho de 2009 por desacato em público a um Agente Regional
Cliente: (Silêncio)
Telefonista: Mais alguma coisa?
Cliente: Não, é só isso... não, espere... não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou me atirar pela
janela!!!!!!!!!!!!!!!
Telefonista: E machucar o joelho? O Sr. mora no andar térreo....

sábado, 7 de novembro de 2009

A linha de sombra


Ah o tempo! Em um piscar de olhos não somos mais os mesmos. Ou, nunca deixaremos de ser. Quem sabe? Acontece que antes mesmo de termos consciência das mudanças que o tempo é capaz de nos infligir, tudo mudou. Quer gostemos ou não, acabamos deixando muita coisa para trás. Nossa linha de sombra, ficou para trás. Mas elas não estão esquecidas. Não! Isso nunca. Basta um momento qualquer e logo cada sentimento é revivido. Não importa há quanto tempo ele esteja adormecido. A foto a baixo é um destes momentos. Está longe de ser um momento qualquer.
A foto foi tirada no casamento do Dener e da Renata (26/07/2008). O brinde, já histórico, foi realizado no banheiro masculino na festa do casamento. No banheiro! Imaginem vocês. Depois de uma boa dose de boa música e um pouquinho de prosecco (tudo bem, não foi tão pouquinho assim...), o noivo, eu e o Douglinhas (Daniel San segundo minha esposa) resolvemos ir ao banheiro. Nada mais simples e compreensível. Acontece que estando lá paramos um pouco para conversar. Um pouco, dançar cansa! Não tenho a menor idéia do assunto. Como poderia? Mas, fomos ficando e aos poucos outros foram chegando. O brinde, que a foto eternizou, deve ter acontecido após uns trinta minutos de muitas risadas. Neste tempo, apareceu também o garçom para encher os copos (a bem da verdade ele apareceu mais de uma vez por lá) e claro, o fotógrafo não poderia faltar. Não sei como ele nos descobriu. A farra só foi terminar com a irmã do noivo invadindo o cativeiro e resgatando o noivo de maneira heróica após cerca de quarenta minutos de cárcere não privado. Sim! Heróica. Por que não foi nada fácil.
O brinde, claro foi em homenagem ao noivo. Não poderia ser diferente. Mas basta ver no sorriso de cada um para entender que também brindamos àquele momento especial. O momento que resgatou um pouco e por alguns minutos, sentimentos que tempo nenhum será capaz de apagar. Salute!
Ao escrever o texto me inspirei no livro de Joseph Conrad. A linha de sombra. Conrad explica da seguinte maneira a linha de sombra:
"Apenas os jovens têm tais momentos. Não me refiro aos muitos jovens. Não. Os mais jovens não têm, a bem dizer, momento algum. É um privilégio do começo da juventude viver adiante de seus dias, em toda e bela continuidade de esperança que não conhece pausas ou interrupções. Fecha-se atrás de si o pequeno portão da mera meninice – e adentra-se um jardim encantado. Até as sombras aqui resplandecem cheias de promessas. Cada curva da vereda tem suas seduções. E não porque se trate de um país desconhecido. Sabe-se muito bem que a humanidade toda já trilhou aquela senda. É o encanto da experiência universal, da qual se espera extrair uma sensação incomum ou pessoal – um algo que seja só nosso. Vai-se reconhecendo os marcos dos predecessores, excitado, divertindo-se, aceitando a boa como a má sorte – as rosas e os espinhos, como se costuma dizer -, o pitoresco lote padrão, que guarda tantas possibilidades para os merecedores, ou talvez para os afortunados. Sim. Vai se adiante. E o tempo, também, caminha – até que se percebe logo adiante uma linha de sombra avisando-nos que também a região da mocidade deverá ser deixada para trás."