segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Menestrel - William Shakespeare



Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
 E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
 Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
 Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
 Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
 Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
 Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Trigésimo sexto contato


 
Não se esqueça delas. “Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!" Assim, Shakespeare termina O menestrel. É um texto incrível. Deveríamos levá-lo no bolso. Ler cada linha toda manhã. São as conclusões de vida do poeta inglês. Com o passar dos anos, também chegará às mesmas conclusões. É a vida. Nossos aprendizados são experiências acumuladas através de nossas vivências. Acredite; você possui muita força. Não se engane; não quer dizer que as coisas são fáceis. Não são. Não espere facilidade.
            Sabe o que descobri recentemente? Que palavras de nada valem. Pode parecer estranha esta conclusão para alguém que escreve tantas cartas. Afinal, palavras são tudo que tenho lhe oferecido. Mas, o que posso fazer? Perder a oportunidade? Sabe muito bem: não perderíamos uma chance por nada. Nunca. Espero que para você elas não sejam apenas linhas perdidas no tempo. Espero que possam ser transformadoras. Espero... Esperar é ter fé. Já falei isso? Acho que sim. Talvez esteja tornando-me repetitivo. A verdade é: estas cartas não podem ser apenas palavras. A atitude deve ser sua. Sem ela, esta oportunidade não terá sentido. Faça valer à pena.
            Olhe como a vida mudou para você. Muda para todo mundo. Sempre. As pessoas não têm consciência. Quando a vida nos apresenta uma oportunidade, devemos agarrar-nos a ela com toda a nossa força. A vida não perdoa. E caberá a você decidir quando deverá deixar algo para trás. Saber que é o fim. Talvez, o fim seja apenas o começo. Não sei. Ninguém sabe. Paradoxo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Interesses - Definições


Definições não podem ser compreendidas apenas como o significado de algo. Definir pode ser muito mais complexo.  Pensando desta maneira, Adriana Falcão, roteirista e escritora brasileira, encontrou algumas definições que extrapolam as explicações encontradas nos dicionários.
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"Interesse é um ponto de exclamação ou
 de interrogação no final do sentimento".

domingo, 28 de abril de 2013

O doador - Ari Mota



Este sou eu...
O tempo certa vez me abordou... e me foi vestindo de velhice, foi recolhendo a minha configuração e os traços do meu rosto, não me permitiu esticar a meninice, nem estender a juventude.
Tocou-me, acintosamente como quem rouba a ilusão, e eu... resiliente que sou... e teimoso, não me abati de longitude,
nem morri de medo dessas lonjuras que nascem dentro do peito,
nem me perdi nestes desertos de alma,
nestas esquinas do destino... em aflição.
E para não sofrer de esquecimento, nem de descuido...
decidi doar-me.
O existir emprestou-me este corpo que me carrega, me leva por ai.
E dele nada posso doar... somente ceder para alguém... usar.
Posso conceder os braços, mas... não os abraços que dei,
posso oferecer minhas pernas, mas... não os caminhos que descobri,
posso até emprestar o meu coração, mas... nunca o que amei,
posso ceder a minha pele, o meu rosto, os meus lábios, mas...
nunca as bocas que beijei,
posso entregar as minhas mãos, mas... não posso conduzir ninguém,
nem indicar o caminho, e sozinho, terão que seguir... em solidão,
posso lhe presentear os meus olhos, mas...
nunca a fina beleza das minhas escolhas,
nem os entardeceres em contemplação.
Posso transferir cada órgão... e sem vícios... como os recebi,
mas... como envelheci,
e estou com mais tempo de esquadrinhar o meu horizonte,
a vastidão de mim...
e hoje, não posso aceitar nada que me medeia... sou ou não sou.
Eu, não posso perder do alcance a largueza da alma, da minha alma,
que vai viver outras vidas, e fazer outras tantas viagens,
e esta, é apenas uma estação das minhas tantas paragens.
Preciso arrancar este desafogo do peito, para não sofrer de ausência,
e ir embora feliz... desapertar a incomoda... sofreguidão,
e como não posso doar coisas... nem partes de mim.
Vou doar... destemor,
e o que tenho na alma...
amor.

domingo, 21 de abril de 2013



"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está passando inutilmente".
(Érico Veríssimo)

Resiliência! Talvez, seja este o segredo da felicidade. É o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia. Para Aristóteles, defensor do eudemonismo, "A felicidade é um princípio; é para alcançá-la que realizamos todos os outros atos; ela é exatamente o gênio de nossas motivações." Em Os sentidos da felicidade Angelita Corrêa Scardua, mestre em Psicologia Social e pioneira nos estudos de Psicologia Positiva no Brasil, ensina que “mais do que um sentimento, a felicidade aristotélica está relacionada com o que uma pessoa faz de si e de sua vida, sendo uma expressão da virtude, a consequência natural de se fazer o que vale a pena ser feito”. Está bem! Pura filosofia. Não sou filósofo. Todos entendem a felicidade. E se conhecemos o segredo precisamos também entendê-lo. Resiliência!
Eu sei; reminiscências, resiliência... Não quero criar confusão. Mentira. Salvador Dali estava certo, “É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida”. O pintor catalão, em sua obra mais famosa, retratou duas preocupações do ser humano: tempo e memória. O ser humano preocupa-se demais.
A física ensina que alguns materiais possuem a propriedade de acumular energia quando submetidos à determinada tensão sem gerar ruptura. A resiliência; determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação ocorrida depois da aplicação desta tensão. Como um elástico ou uma vara de salto em altura.
A psicologia emprestou o conceito da física para explicar resiliência como a habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas da vida. É a capacidade do individuo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais difíceis. A resiliência é o segredo da felicidade. Nada é fácil. Não espere por isso. Tudo poderia ser muito simples. Simples, mas não fácil. A resiliência está relacionada com a atitude. A biologia, psicologia, sociologia ou até mesmo a teologia, podem fornecer diferentes explicações. Parece ser possível encontrarmos sete fatores da resiliência. Não importa. Esqueça as explicações. Clarice Lispector escreveu: “Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença”. Faça a diferença. Resiliência.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sorri - Charlie Chaplin



"Sorri, quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri, quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri, quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doloridos

Sorri, vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz "

(Charllie Chaplin)

sábado, 30 de março de 2013

O marajá e a colher de azeite



"Uma vida sem amor, não importa quantas outras coisas tenhamos, é uma vida vazia e sem sentido..."
(Leo Buscaglia)

Era uma vez um jovem que foi até o palácio de um marajá, na época em que os marajás eram os sábios, e perguntou a ele qual a fórmula para ser feliz e rico igual a ele. O marajá, em vez de responder, propôs um desafio ao jovem:
- Vou encher uma colher com azeite e você vai percorrer todos os cantos deste palácio, mas não deixe derramar uma gota de azeite sequer.
O jovem saiu então com a colher na mão, andando com passos pequenos, olhando fixamente para a colher e segurando com tanta força que ficou cansado. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido, mostra a colher ao marajá, que pergunta se ele viu os belíssimos quadros que estão nas paredes do palácio, se ele viu os jardins e as piscinas maravilhosas que estavam pelo caminho. Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não, e o marajá disse:
- Dessa forma você nunca encontrará a sabedoria. Vivendo só para cumprir suas obrigações, sem usufruir as maravilhas do mundo, você nunca será um sábio.
Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas que desta vez observasse tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu-se da colher e passou a observar os quadros, os jardins, os pássaros. Ao voltar, o marajá pergunta se ele viu tudo e o jovem, extasiado, diz que sim. O marajá pede que ele mostre a colher e o jovem percebe que derramou todo o conteúdo pelo caminho. E o marajá diz:
- A felicidade é conseguir aproveitar as maravilhas do mundo mas sem deixar o azeite cair da colher...