quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Parte 41 – Quadragésimo primeiro contato



            Ainda bem. Mas precisa acreditar, as coisas não são simples como eu gostaria ou como você acredita ser. A mera possibilidade de poder fazer estas cartas chegarem até você já é algo extraordinário. Preciso fazer uma confissão. Talvez já tenha percebido antes. Durante todo este tempo, não consegui encontrar uma maneira de tornar essa experiência algo concreto. Tenho medo. Não se espante. Sei que durante a maior parte do tempo, foi exatamente sobre o medo o enfoque das minhas palavras dirigidas a você. Mesmo sabendo e, melhor do que ninguém, eu sei, que o medo pouco significa para você. Não precisa ficar preocupado. Alguns sentimentos aparecem com o tempo. E a idade. O fato de eu sentir medo, não significa que depois de tantos anos você se tornará um cagão. Desculpe o linguajar, não costumo falar assim. Estou um pouco irritado. Deve ser isso.
            Fico me perguntando até onde minhas palavras podem interferir em suas decisões. Ou pior, em suas atitudes. Já imaginou? Alterar tudo? Estas cartas referem-se ao seu futuro. Já pensou nisso? Acontece, que seu futuro é meu passado. E verdade. Como sempre, é confuso. Mas, pense um pouco sobre isso. Eu tenho pensado muito. Como já deve estar entendendo, ainda não cheguei à uma conclusão. Talvez nunca chegue. O problema? Dependendo de como as coisas andam por aqui, fico tentado a mudar tudo por aí. Não importa. Não é culpa sua. Pelo menos, não toda. Tem sua parcela. Aceite. Não comece a choramingar.
            Não há nada errado com arrependimentos. O que está feito, não pode ser mudado não é mesmo? Não? Percebe o dilema? Com a possibilidade de estarmos em contato, muda completamente a perspectiva. Mas qual o preço? Ou melhor, as consequências. Talvez, o que precise de mudança não dependa de passado e sim de futuro.

sábado, 12 de agosto de 2017

Quando nada é suficiente...



Um açougueiro estava tomando conta de sua loja e ficou realmente surpreso quando um cachorro entrou. Ele espantou o cachorro, mas logo em seguida ele voltou. Novamente ele tentou espantá-lo quando percebeu que trazia um bilhete na boca. Pegou o bilhete e leu: “Pode me mandar 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor”. O cachorro trazia dinheiro na boca também. Ele olhou e viu que dentro da boca do cachorro havia uma nota de R$ 50,00.
Então ele pegou o dinheiro e pôs as salsichas e a perna de carneiro na boca do cachorro. O açougueiro ficou impressionado e como já era mesmo hora de fechar o açougue, ele decidiu fechar e seguir o cachorro. E foi o que fez. O cachorro começou a descer a rua e, quando chegou ao cruzamento, depositou a bolsa no chão, pulou e apertou o botão para fechar o sinal. Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e ele pudesse atravessar. Cruzou a rua e caminhou até uma parada de ônibus. O açougueiro continuava seguindo-o.
No ponto de ônibus o cão olhou para a tabela de horário e então sentou no banco para esperar o ônibus. Quando o ônibus chegou o cachorro foi até a frente para conferir o número e voltou para o seu lugar. Outro ônibus chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o ônibus certo e entrou. O açougueiro, boquiaberto, seguiu o cão. De repente o cachorro se levantou e ficou em pé nas duas patas traseiras e apertou o botão para saltar, tudo isso com as compras ainda na boca.
O açougueiro e o cão foram caminhando pela rua quando o cachorro parou em uma casa, colocando as compras na calçada. Ele voltou um pouco, correu e se atirou contra a porta. Tornou a fazer isso e como ninguém respondeu na casa, o cachorro a circundou, pulou um muro baixo e foi até a janela. Começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Então, caminhou de volta para a porta quando um sujeito enorme a abriu e começou a espancar o cachorro. O açougueiro correu até o homem e o impediu dizendo:
– Por Deus do céu homem, o que você está fazendo? O seu cachorro é um gênio!
 O homem respondeu:

– Um gênio? Já é a segunda vez esta semana que este cachorro estúpido esquece a chave.

sábado, 5 de agosto de 2017

Encruzilhadas...


"Tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo" 
(Heráclito de Efeso)

Em algum momento da vida todos nós temos nossas encruzilhadas. Invariavelmente mais de uma. O problema é a noção que ao final do caminho escolhido teremos uma tempestade ou, se dermos sorte, um sol brilhando. Obviamente a dificuldade não se encontra no caminho a ser seguido, mas na escolha a ser tomada.
 Não vou falar de sol brilhando. Não agora. A questão é a tempestade. Dizem que “Algumas tempestades chegam apenas para testar a força de nossas raízes”. Não encontrei o autor da frase, mas nada parece ser tão verdadeiro quanto a importância de nossas raízes. Talvez você não tenha se dado conta, mas elas estão aí. Influenciando em cada decisão tomada. Trata-se de quem você é e não de quem gostaria de ser. Pode fingir. Apenas por um tempo. No final a verdadeira essência prevalecerá. Sempre.

Pois não importa qual caminho você escolheu. Nada será definitivo. Nem o sol brilhando e muito menos a tempestade. Na vida vivemos de escolhas. E escolhas trazem consequências. Pode estar feliz ou não com elas. Não importa. Sempre haverá novas encruzilhadas e caberá a você tomar a decisão. Fazer uma escolha errada pode significar apenas a oportunidade de uma nova escolha. Talvez escolhas erradas não existem. Quem sabe? Esse é nosso cenário. Nosso barco continua lá. Tentando encontrar o caminho. Nossas encruzilhadas também.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Entre Negativas e Afirmações...





Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Às vezes apenas um segundo.
(Lewis Carroll)

Temos várias razões para escrever. Certamente o mesmo número para não fazê-lo. Sempre fui admirador de Machado de Assis. Quem, em sã consciência, não é? Perdoe-me, se não for o seu caso. Por isso disse em sã consciência. Enfim. Aproprio-me “Das Negativas” de Memórias Póstumas para explicar melhor: Brás Cubas chega ao final, do outro lado do mistério como ele mesmo diz, afirmando que “Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra...”.
 Sempre admirei nosso "Poeta Maior" por escrever essa obra sobre nada. Calma. Não é nenhuma heresia. Você precisa concordar que a vida de Brás Cubas não é diferente de qualquer cidadão comum. Quem quer ler a respeito de uma vida comum?  E essa é, para mim, a genialidade da história. O que seria um motivo para não escrever, foi exatamente a razão para fazê-lo.
Então, acabo por utilizar de uma maneira um tanto confusa para explicar minha ausência por aqui. E da mesma maneira esclarecer que tento agora fazer das minhas negativas as minhas afirmações. E assim, escrevo.
E escrever, nesse momento, me dá a sensação que ficarei entre algum ponto entre o efêmero e o eterno. Não que seja minha intenção. Falar em efêmero nos remete ao que é passageiro, que dura pouco tempo. Que é transitório. Que assim seja! Amém. Mas pense em sua própria vida: nesse exato momento, ela se parece efêmera para você? Eu sei, nenhum pouco. Talvez um dia. E é aí que nos aproximamos da ideia do eterno. E será que poderemos afirmar, assim como Brás Cubas, que sairemos quites com a vida? Não sei para você, mas para mim só resta esperar que o efêmero se torne eterno. E que ao final eu não tenha um capítulo de negativas, mas de afirmações...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Desde quando eu te conheci...


Sempre acreditei no poder das palavras. E parece óbvio, para quem acompanha estas reminiscência, que invariavelmente utilizo-me delas com diferentes finalidades. 
O texto postado aqui foi escrito por meu filho, hoje com doze anos, para expressar ao irmão que estava casando seu sentimento de despedida.
Com a ideia de escrever ao irmão veio o pedido para eu ler o texto no casamento. Não vou escrever sobre este momento. O importante agora são os sentimentos dele explícitos em suas palavras...

video

Eu Ficava pensando comigo mesmo, desde quando eu te conheci  Ne, O que eu seria sem você? Mas quando eu cheguei nos dias de hoje percebi a pessoa perfeita que você foi para mim. Aí eu comecei a pensar em todas as histórias que nós passamos juntos como: a cidade das lombadas, o primeiro jogo que você me levou no Pacaembu, a primeira vez que eu aprendi a andar de skate e a surfar... Com quem eu estava? Como você!
Todas essas histórias eu guardo no meu coração. Quando você se mudar eu vou sentir sua falta e essas lembranças matarão minha saudade. Você sempre fez passar das curvas difíceis e fez voltar para as retas fáceis.
Eu percebi que o que tem no nosso pai tem em você, o que tem em você tem no papai. Isso quer dizer que eu nunca irei te esquecer.
Às vezes as pessoas me perguntam se eu não vou me despedir. Mas nunca é um adeus. As pessoas dizem que só se vive uma vez, acho que por isso você é meu irmão, porque também é assim.
Os dias serão longos sem você e prometo que te direi tudo isso quando encontrá-lo novamente. Como fala no nosso filme, “Não depende de um quilômetro ou que você esteja do outro lado do mundo, a coisa mais importante da vida são as pessoas que estão nesta sala aqui e agora”.
Espero que continuemos nos divertindo como sempre e que você seja muito feliz. Queria que você soubesse apenas de uma coisa, que eu te amo.

SINHO

19/09/2015

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Parte 40 – Quadragésimo contato


Está confuso? Como sempre, cabe a você encontrar a resposta. Parece que no mundo cada um tem a sua verdade. Pelo menos neste mundo em que vivemos. Espere. Não devo falar assim. Estou rindo com a possibilidade de você acreditar que, com esta frase, tenho a intenção de revelar-lhe a descoberta da existência de outros mundos. Será? Bem, não foi minha intenção. Refiro-me a este mundo porque do jeito que estão as coisas, se aparecer outro mudo imediatamente. Não pense que tal vontade de abandonar o planeta é motivada por mudanças ocorridas do seu tempo para o meu. Não. Trata-se de percepção. Simples. Você não tem e hoje eu tenho. Outro dia perguntaram-me se não tinha saudade de dormir doze horas seguidas. Eu sei; você já não dorme mais tanto assim. A saudade não está relacionada à quantidade de horas dormidas. Gostaria mesmo é de poder dormir novamente aquele sono de criança. Ah! Você ainda é jovem. Talvez não entenda. Ainda não. Percepção.
Não quero confundi-lo. Vou parar com as divagações e retomar o assunto. Falava de verdades. Cada um, ao que parece, tem a sua. Como se fosse possível existir mais de uma. É possível? Boa pergunta. Enfim. Falando dessa maneira sou também mais um. O que são estas palavras além das minhas verdades? Minhas convicções também são as suas. Ou virão a ser um dia. Falar sobre verdades nos faz pensar em mentiras. O ser humano é assim: acredita nas próprias mentiras. Ou melhor, alguns são. O que realmente importa são nossas certezas. Já devo ter falado isso. Ou escrevi em algum lugar. Não lembro. O ser humano é realmente muito complicado. Não basta cada um ter a sua verdade. É preciso também acreditar nas próprias mentiras. Percebe como é complicado? Não. Para você tudo ainda é simples...


quinta-feira, 5 de março de 2015

Natureza Humana


Entrelinha poderia ser definida como o espaço entre duas linhas. Simples. Mas nada é simples. O sentido implícito. O que não foi escrito ou falado. Então, interpretamos. E, tratando-se de interpretação, cada um tem a sua. Assim, encontre-se nas entrelinhas...
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Ah! O dia a dia! Basta ficarmos sentados por alguns minutos observando. Não é necessário mais do que parcos minutos. E então, neste tempo infindável dedicado à contemplar o meu redor e o que por lá acontecia, lembrei de um fábula. Não importa em qual das sete teorias sobre a natureza humana você acredita ou se encaixa. A moral da fábula será sempre verdadeira...
Caminhavam por uma estrada um monge e seus discípulos. Ao passarem por uma ponte o monge notou um escorpião sendo arrastado pelas águas do rio. Correu pela margem, meteu-se na água e pegou o escorpião com a mão. Ao trazê-lo para fora do rio o escorpião o picou. Com a dor, acabou deixando-o cair novamente no rio. Foi então mais uma vez à margem, pegou um ramo de árvore e pulou no rio para salvar o bichinho.
Em seguida, juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados. “Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!”
O monge ouviu calmamente os discípulos e respondeu: “Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha”.